Marcelo Rebelo de Sousa: «Este vai ser o nosso maior desafio dos últimos 45 anos»

Marcelo Rebelo de Sousa diz que estamos perante uma causa nacional, que fez com que todos os órgãos de soberanina estivessem unidos.

Executive Digest

Marcelo Rebelo de Sousa diz que estamos perante uma causa nacional, que fez com que todos os órgãos de soberanina estivessem unidos e solidários, tal como os portugueses. Como tal, o Estado de Emegência será prolongado, entrando em vigor à meia-noite de 3 de Abril e terminando às 23h59 de dia 17 deste mês.

«Este vai ser o nosso maior desafio dos últimos 45 anos» porque nos ultrpassa no seu início e no seu fim e o adversário é imprevisível, atinge vida e saúde, sem paralelo na nossa história democrática, afirma o Presidente da República. Mas também porque os efeitos económicos e sociais serão mais profundos e duradouros, adianta ainda.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, entramos agora numa segunda fase de resposta.«Neste mês crucial de Abril», afirma, é preciso manter a desaceleração do surto, consolidar a contenção, tratar a maioria esmagadora dos infectados em casa e saber gerir a subida do número de doentes em internamento e cuidados intensivos.

Seguir-se-á uma terceira fase, cujo início dependerá da duração e sucesso da segunda. Nessa altura, a missão será inverter definitivamente a tendência de crescimento do número de casos e apontar, dentro do possível, à descompressão da sociedade portuguesa. Por fim, Portugal entrará na quarta fase, em que será controlado o surto: «Uma fase de progressiva estabilização da nossa vida colectiva.»

«Para já, ganhámos a primeira batalha, a da primeira fase», garante o Chefe de Estado. Quando o número de infectados começava a subir 30% por dia, foi possível baixar para ritmos abaixo dos 15%, como ontem e hoje. «Ganhámos tempo com as medidas restritivas e, sobretudo, com a adesão voluntária dos portugueses», acrescenta.

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«Agora, temos de ganhar a segunda fase. Não podemos desbaratar a contenção da primeira», afirma Marcelo Rebelo de Sousa, realçando que os números ainda deverão subir muito em valores absolutos. A expectativa é de que desçam em percentagem de crescimento.

Nesta segunda fase, Marcelo Rebelo de Sousa aponta para cinco objectivos fundamentais: proteger os grupos de maior risco (onde quer que vivam ou se encontrem – em casa, lares ou na rua); utilizar com bom senso e rigoroso critério a abertura da renovação do estado de emergência para prevenir situações críticas de saúde pública nos estabelecimentos prisionais (autoridades terão uma palavra a dizer); assegurar que as pessoas ficam em casa na Páscoa; pedir aos compatriotas que vierem de fora que entendam as restrições e que adiem os seus planos; e definir os cenários para o ano lectivo, atendendo à evolução da pandemia em Abril.

É um estado de emergência preventivo que tem como fim ajudar a cumprir este caderno de encargos e ganhar a segunda fase do combate pela vida e pela saúde, acrescenta. «Mas só ganharemos Abril se não facilitarmos, se não condescendermos, se não baixarmos a guarda.»

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A Assembleia da República aprovou esta tarde o prolongamento do Estado de Emergência em Portugal, fazendo com que a suspensão parcial de alguns direitos permaneça em vigor durante mais 15 dias. A medida foi aprovada com votos de todas as bancadas, com abstenção do PCP, Verdes, Chega e a deputada independente Joacine Katar Moreira. Só votou contra o Iniciativa Liberal.

Consulte aqui as medidas definidas pelo Conselho de Ministros, que teve lugar esta quinta-feira – desde aquelas que foram reforçadas às que são agora implementadas pela primeira vez.

Ontem, quando anunciou que pretendia estender o Estado de Emergência, Marcelo Rebelo de Sousa justificava a decisão com a necessiadade «acentuar o nível de prevenção, sob pena de o esforço feito até aqui ser desperdiçado». A mesma mensagem já foi partilhada por António Costa, que alerta para o potencial risco da época da Páscoa que se aproxima.

Recorde-se que, segundo a Constituição da República Portuguesa, cabe ao Presidente da República declarar o Estado de Emergência. No entanto, essa declaração depende da autorização do Parlamento e não pode vigorar por mais de 15 dias seguidos (de cada vez).

Portugal está em Estado de Emergência desde 18 de Março. Na altura, ficou parcialmente suspenso o exercício dos direitos de deslocação e fixação em qualquer parte do território nacional, bem como de circulação internacional, de propriedade e iniciativa económica privada. A medida afectou também os direitos dos trabalhadores, de reunião e de manifestação, de liberdade de culto na sua dimensão colectiva e direito de resistência.

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Segundo o boletim da Direcção-Geral da Saúde (DGS) divulgado hoje, existem 8.251 pessoas infectadas por COVID-19 em Portugal. Assinalam-se também 209 vítimas mortais.

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