Marcelo: «O importante é salvaguardar que a TAP sirva Portugal e os portugueses»

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, referiu esta terça-feira que agora o «importante é que a TAP sirva Portugal e os portugueses», numa altura em que se fala numa possível nacionalização da empresa.

O responsável considera que a TAP cumpre uma ligação aérea entre o continente e as regiões autónomas, as comunidades de países espalhados pelo mundo e os países de língua portuguesa, pelo que «é muito importante» para o nosso país.

Marcelo pretende que se encontre «a melhor solução possível» para que o país continue a ter «uma TAP portuguesa, que prossiga o interesse de Portugal», recusando pronunciar-se se seria preferível uma gestão pública ou privada.

«Para mim o que interessa é o seguinte: que, neste momento, se encontre a melhor solução possível – as companhias de aviação estão todas numa situação dramática -, a melhor solução possível para continuarmos a ter uma TAP portuguesa», afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, questionado pelos jornalistas sobre a hipótese de nacionalização da empresa.

Questionado se deixar falir a TAP não é uma hipótese, respondeu: «Decorre da minha posição que certamente não é uma hipótese que permita a Portugal ter uma empresa que salvaguarde os interesses portugueses, não é».

A TAP «é demasiado importante» para que se deixe cair

De recordar que o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, disse hoje que a TAP é «demasiado importante» para o país para que se deixe «cair», depois de questionado sobre uma eventual falta de acordo entre accionistas e a opção pela nacionalização da companhia.

«A TAP é demasiado importante para o país para a deixarmos cair», disse o ministro, depois de questionado pelo deputado do PSD Cristóvão Norte sobre uma notícia de hoje do Expresso, que avança que a TAP vai ser nacionalizada por falta de acordo entre Estado e os accionistas privados.

«Quando nós estamos a falar sobre a TAP nós temos de perceber que não podemos ficar limitados ao resultado da TAP enquanto empresa, porque estamos a falar daquela que é uma das maiores transportadoras nacionais. […] Quase 90% dos nossos turistas chegam por via aérea, metade chegam pela TAP. […] É um instrumento de desenvolvimento nacional, de promoção de emprego», acrescentou.

Contudo, Pedro Nuno Santos indica que se os privados não aceitarem as condições do Estado para um empréstimo de até 1.200 milhões de euros, a TAP terá de ser nacionalizada.

«Se o privado não aceitar as condições do Estado português, nós teremos de intervencionar a empresa, nacionalizar a empresa, sim, ou quer que nós deixemos a empresa cair?», respondeu o ministro, perante os deputados da comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, na Assembleia da República.

Proposta da TAP chumbada pela Administração

O ministro das Infraestruturas disse também que a proposta do Estado com as condições para um empréstimo de até 1.200 milhões de euros à TAP foi chumbada pelo Conselho de Administração, e admite «uma intervenção mais assertiva na empresa».

De acordo com o governante, a proposta de contrato para o empréstimo vai ainda ser submetida ao sócio privado, a Atlantic Gateway, dos empresários David Neeleman e Humberto Pedrosa, cujos representantes se abstiveram na votação no Conselho de Administração.

Nessa reunião do Conselho de Administração, órgão liderado por Miguel Frasquilho, a proposta do Estado teve «os votos a favor dos administradores do Estado e as abstenções do privado, o que resultou no seu chumbo», adiantou o governante.

Para ser aprovada, a proposta teria de ter maioria qualificada no Conselho de Administração, composto por 12 elementos – seis do Estado e seis do privado.

«Precisávamos de oito votos a favor para passar e ela foi chumbada, presumo que por isso apareceu um conjunto diverso de notícias», afirmou.

«Não cederemos na negociação com o privado. Não lhe chamamos braço de ferro, chamamos defesa intransigente e firme do interesse nacional. Estamos preparados para tudo, o Governo não vai ceder nas suas condições e estamos preparados para intervencionar e salvar a empresa», declarou.

David Neeleman garante «empenho dos privados»

O accionista da TAP David Neeleman garantiu na segunda-feira o «empenho dos privados» no futuro da companhia, agradecendo «muito» o empréstimo de emergência do Estado português e afirmando aceitar a entrada imediata deste na Comissão Executiva da empresa.

«Apesar de não ter sido essa a nossa proposta, agradecemos muito o apoio do Estado português através de um empréstimo de emergência à TAP e aceitamos obviamente as medidas de controlo da utilização desse empréstimo», afirmou Neeleman numa declaração escrita enviada à agência Lusa.

Após «meses de silêncio», o empresário justificou esta tomada de posição com a necessidade de «rejeitar as declarações sobre o empenho dos privados no futuro da TAP», garantindo que estes estão «disponíveis para aceitar a participação do Estado na Comissão Executiva imediatamente e mesmo antes de uma eventual capitalização do empréstimo».

«Estamos também disponíveis para capitalizar os nossos créditos na companhia no momento da aprovação do plano de reestruturação que será negociado com a Comissão Europeia», acrescentou.

 

 

 

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