Manuel Carmo Gomes pede «espírito aberto para a possibilidade de fazermos nova pausa» no desconfinamento

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), defende que deve haver «espírito aberto» para a hipótese de Portugal ter de fazer uma «nova pausa» no plano de desconfinamento atualmente em curso. 

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O epidemiologista Manuel Carmo Gomes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), defende que deve haver «espírito aberto» para a hipótese de Portugal ter de fazer uma «nova pausa» no plano de desconfinamento atualmente em curso.

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Em declarações à ‘Renascença’ o responsável considera «importante que nós todos – portugueses, decisores, etc – tenhamos um calendário, mas também é importante que estejamos de espírito aberto para a possibilidade de termos de fazer uma pausa».

«E a pausa pode ser em grandes regiões, no país todo ou ao nível municipal, para podermos ter uma avaliação melhor dos dados, das consequências do último passo que demos. E se virmos que as consequências estão a sair um bocadinho fora do controlo que gostaríamos de ter, então temos de ter a coragem de pausar, se for preciso, duas/três semanas», afirma citado pela estação.

O especialista indica que os concelhos mais afetados são muitas vezes aqueles onde existe menos população, motivo pelo qual a incidência sobe facilmente. No entanto, é preciso ter prudência nesta fase de desconfinamento, alerta.

«Temos ainda uma quantidade significativa de população que pode contrair a infeção, porque não está vacinada, porque não foi infetada no passado, e é suficientemente grande para termos um ressurgimento significativo da doença. Não podemos esquecer isso», reitera Carmo Gomes.

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O responsável reforça: «Não queremos estragar tudo, temos de ter esta abertura de espírito para, até dia 19, se necessário, tomar decisões que não são de fazer o calendário que está previsto cegamente sem ter em atenção a situação em que vivemos nessa altura».

Para já situação está «controlada»

Manuel Carmo Gomes adianta que atualmente Portugal tem uma situação pandémica controlada, mesmo com a subida do índice de transmissão, o chamado Rt, é possível manter o desconfinamento, desde que não haja um aumento substancial de casos.

«Nós conseguimos conduzir o barco com um Rt superior a 1, desde que não seja muito superior a 1, a partir do momento em que acompanhemos os outros indicadores. A ideia principal é não deixar a incidência subir muito e, no tal documento das linhas vermelhas, era indicado qual é o tempo de que nós dispomos para atingir a linha vermelha dos 240/100 mil [habitantes], que nós não queremos atingir, para diferentes combinações de Rt maior do que 1 e de incidência», explica à ‘Renascença’.

O epidemiologista considera que as diferentes fases de desconfinamento deviam estar separadas por três semanas «para podermos fazer uma melhor avaliação da situação».

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«Agora estamos a abrir e só daqui a 15 dias é que conseguiremos ver bem as consequências da abertura que estamos a ter agora. E isto preocupa-me, porque daqui a 15 dias já estamos em cima do 19 de abril”, diz, considerando que a situação que estivermos a viver “em meados de abril, por volta de 15/16, vai ser decisivo para o que vai acontecer nesta Primavera”, revela.

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