Manuel Alegre critica confinamento dos mais velhos: «É um atentado à liberdade»

Manuel Alegre não aceita que os mais velhos sejam confinados até Novembro.

Revista de Imprensa

Manuel Alegre não aceita que os mais velhos sejam confinados até Novembro. Em entrevista ao Diário de Notícias, fala em «atentado à liberdade», lemrbando que já passou pela guerra, esteve preso e passou 10 anos exilado. Garante que foi muito duro e que nunca esperou viver algo como aquilo que enfrenta neste momento.

«Há uma grande preocupação em proteger os mais idosos, mas não aceito que essa protecção signifique prender-me em casa. Já não tenho tempo para isso, nem eu nem muitos outros. Interessa-me a vida enquanto puder vivê-la como ela é. Quero ver crescer os meus netos e sabemos tomar as precauções, até autoconfinar, mas o confinamento obrigatório além de certos limites equivale a uma prisão, é inconstitucional e um atentado à liberdade», afirma o antigo deputado e escritor português.

Manuel Alegre aproveita ainda para deixar claro que não concorda com a posição de Ramalho Eanes, que disse recentemente que cederia o seu ventilador a alguém mais novo em perigo. «Tenho admiração, amizade e respeito por Ramalho Eanes, com quem vivi alguns dos momentos duros e de perigo no pós-25 de Abril, mas não concordo com a frase que ele disse e que foi muito louvada por certa gente pseudomoralista», indica na mesma entrevista.

Segundo Manuel Alegre, todas as pessoas são iguais nas circunstâncias actuais e todas devem ser tratadas da mesma forma. Diz que não é uma questão de idade, mas sim de «fibra, das condições físicas e da capacidade de resisitência de cada um». Pede que não se inicie um «caminho de eutanásia noutro sentido ao retirar o ventilador aos mais velhos».

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