Manifestantes que invadiram Capitólio dos EUA «vieram preparados para a guerra», indicam depoimentos do Senado

Steven Sund, o ex-chefe da polícia do Capitólio que se demitiu na sequência do ataque ao edifício em Washington, no dia 6 de janeiro, testemunhou esta terça-feira na primeira audiência do Congresso. Segundo Sund, os manifestantes pró-Trump que invadiram o Capitólio “vieram preparados para a guerra”.

Merrick Garland, nomeado por Joe Biden para Procurador-Geral, parece concordar. Numa audiência, na segunda-feira, disse que iria alargar a investigação criminal ao ataque de 6 de janeiro, justificando ao Congresso que o terrorismo interno é uma grande ameaça para a democracia americana.

Perante a comissão judicial do Senado, Garland descreveu a insurreição dos apoiantes do Trump e dos supremacistas brancos como “um ato hediondo que procurava perturbar uma pedra angular da democracia”.

Atualmente juiz federal, Garland descreveu os acontecimentos de 6 de janeiro como “um ato não necessariamente isolado”, e comprometeu-se a usar todos os poderes do departamento de justiça para evitar que a situação se repetisse. “Tenciono analisar mais amplamente de onde isto vem, quais os outros grupos que poderão vir a levantar o mesmo problema no futuro”, disse.

Esta terça-feira, os dois altos funcionários encarregados de proteger o Capitólio no dia do ataque foram chamados a prestar depoimento ao Congresso dos EUA.

Paul Irving, o antigo sargento de armas da Câmara dos Representantes, e Michael Stenger, o seu equivalente para o Senado, demitiram-se após o incidente. Hoje, compareceram perante uma audiência conjunta de duas comissões do Senado, o que marcou o início de uma investigação congressional sobre os gigantescos lapsos de segurança que estiveram por trás da insurreição.

“Este foi um ataque violento e coordenado onde a perda de vidas poderia ter sido muito pior”, disse Stenger. Já Irving afirmou que, “com base na inteligência, todos acreditávamos que estávamos preparados. Agora sabemos que tínhamos o plano errado”.

Dois outros funcionários, o antigo chefe da polícia do Capitólio, Steven Sund, e o chefe interino da polícia do departamento metropolitano de Washington, Robert Contee, também prestaram testemunho. Sund, que também se demitiu na sequência do ataque, afirmou no Senado que os “criminosos vieram preparados para a guerra”.

A invasão do Capitólio no dia 6 de janeiro foi motivada pelo ex-Presidente dos EUA, Donald Trump, e tinha como objetivo “salvar a América” e “parar o roubo” das eleições presidenciais de novembro de 2020. O evento foi amplamente divulgado nas redes sociais. O motim resultou na morte de cinco pessoas.

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