O presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, condenou hoje de forma veemente os ataques armados perpetrados contra várias cidades no Mali que colocam em risco a vida da população civil.
Num comunicado emitido pela UA e citado pela agência de notícias espanhola EFE, Mahmoud Ali Youssouf referiu que “acompanha com profunda preocupação os ataques denunciados no Mali contra a capital, Bamako, e contra outras zonas urbanas do país”.
O chefe da Comissão (secretariado) sublinhou que esses atos “colocam em risco a vida da população civil” e destacou “o firme compromisso” da UA com “a promoção da paz, da segurança, da boa governação e da estabilidade no Mali”.
Youssouf expressou a sua “total solidariedade com o povo do Mali, as forças de segurança e as autoridades nacionais”.
O Estado-Maior Geral das Forças Armadas do Mali informou hoje que “grupos armados terroristas” tentaram atacar várias cidades do país, mas sofreram “fatalidades imediatas” por parte do Exército, no contexto de uma ofensiva separatista no norte do país.
A Frente de Libertação do Azawad (FLA), movimento separatista que reivindica a vasta região do norte, anunciou o início da “batalha da libertação” e afirmou ter assumido o controlo da cidade estratégica de Kidal, enquanto outros grupos armados, alegadamente ligados à Al-Qaida, atacaram a capital Bamako e cidades vizinhas.
O Exército maliano garantiu que a situação “está sob controlo” e apelou à população para que mantivesse a calma e não divulgasse vídeos nem mensagens de propaganda destinadas a gerar inquietação.
Fontes militares e testemunhas disseram à EFE que o país foi hoje palco de ataques coordenados em várias localidades, incluindo Bamako e os arredores, como Kati, Sévaré e Mopti, com disparos de artilharia pesada e fogo de armas automáticas.
Segundo essas fontes de informação, os ataques na zona setentrional do Azawad foram lançados pelo FLA, enquanto os ataques de Bamako e arredores pelo Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM, filial da Al Qaida no Sahel), embora esta organização extremista não tenha reivindicado os ataques.
Desde 2020, o Mali é governado por uma junta militar, num contexto marcado pela instabilidade e pela grave violência que o país sofre há mais de uma década devido aos separatistas do norte, que reivindicam a região de Azawad, e a grupos extremistas afiliados ao Estado Islâmico e à Al-Qaida.




