Depois de, nos últimos anos, ter-se assistido a subida exponencial – até por força da necessidade durante a pandemia da Covid-19 -, o teletrabalho está em crise. A culpa? Patrões e empresas que, por motivos diversos, como a necessidade de rentabilizar os escritórios que têm ou o receio de faltas ao trabalho, têm preferido que os respetivos funcionários regressem ao escritório.
Não é um cenário de particular agrado para os colaboradores, que durante meses puderam trabalhar a partir de casa, e vieram a descobrir que, com este formato – ou trabalho híbrido, combinando o teletrabalho com a ida ao escritório – era muito mais fácil para eles conciliar a vida profissional com a pessoal, além de ter mais tempo livre.
De acordo com a publicação ‘El Economista’, um estudo realizado pelo Instituto de Economia do Trabalho apontou que em Espanha os teletrabalhadores tinham até mais 10 dias de tempo livre por ano do que aqueles que iam trabalhar para o escritório todos os dias.
Perante estes factos, um grupo de investigadores da ‘Moody’s Analytics’ questionou quais os efeitos do trabalho na nossa sociedade e a descobrir que o teletrabalho levou à criação de novos hábitos e de mais tempo para o lazer, o que ajudou a economia a avançar.
De acordo com os especialistas, com o teletrabalho as pessoas têm mais tempo para consumir, seja ir a um cinema, jantar fora, passar um fim de semana prolongado ou simplesmente encontrar-se para um copo com amigos e familiares: isso mesmo ficou demonstrado pelos dados do PIB dos Estados Unidos relativos ao segundo trimestre deste ano, segundo o Departamento de Comércio, que cresceu 2,4%, impulsionado principalmente pelos consumidores de serviços.
Importa destacar igualmente que desde a pandemia da Covid-19 as pessoas estão agora mais dispostas a sair e experimentar novos momentos, por isso o lazer cresceu tanto, mas também há fatores decisivos: não gastar gasolina – ou parquímetros – para ir trabalhar ou comer em casa todos os dias deu maior poder de compra aos funcionários.
Embora o teletrabalho não seja a única solução, a jornada de trabalho mais curta, por exemplo, uma jornada de trabalho de quatro dias também poderia ser uma opção viável e benéfica para a economia. Sem ir mais longe, os testes realizados em Valência com quatro dias úteis mostraram que as pessoas tinham mais tempo para cuidar dos seus entes-queridos e para realizar mais atividades de lazer, dinamizando assim a economia local.




