Mais mortes do que nascimentos? 2020 deverá registar o maior saldo natural negativo do século

A mortalidade tem registado uma tendência crescente capaz de abafar a natalidade já desde 2009, no entanto este ano deverá mesmo ser aquele com maior saldo natural negativo de sempre se o cenário verificado nos primeiros 10 meses do ano continuar até ao final.

Revista de Imprensa

Portugal deverá bater um recorde neste ano de 2020, apresentando o maior saldo natural negativo (nados vivos versus óbitos) do século, numa altura em que existem cada vez mais mortes e menos nascimentos, muito por culpa da pandemia da Covid-19, de acordo com o jornal ‘Público’.

A mortalidade tem registado uma tendência crescente capaz de abafar a natalidade já desde 2009, no entanto este ano deverá mesmo ser aquele com maior saldo natural negativo de sempre se o cenário verificado nos primeiros 10 meses do ano continuar até ao final, que se prevê que aconteça.

Segundo a mesma publicação, no que diz respeito à natalidade, tem vindo a verificar-se uma redução que se reflete no número de «testes do pezinho» realizados, um exame que se faz assim que os bebés nascem e por isso dá uma aproximação do número de nascimentos.

Realizaram-se 71.719 testes no período compreendido entre Janeiro e Outubro de 2020, o que se traduz numa descida de quase dois mil relativamente ao mesmo período do ano passado e de mil quando comparado com a mesma altura de 2018, revela o ‘Publico’ com base em dados do programa de rastreio neonatal do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Por sua vez no caso da mortalidade verifica-se uma tendência oposta, com 2020 a preparar-se para bater um outro recorde em número de óbitos deste século, para o qual muito contribuiu o novo coronavírus, não só pela doença em si, mas sobretudo pelas restrições de acesso aos serviços de saúde, Também as ondas de calor no verão agravaram o cenário, revela o jornal.

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O ‘Público’ adianta que entre Janeiro e Outubro registaram-se cerca de 100 mil mortes, de acordo com o sistema de monitorização da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Cada vez mais o excesso de mortalidade tem vido a aumentar, uma tendência que pode ser comprovada se compararmos o número de óbitos entre Março Novembro, verificando-se mais 9.640 mortes do que a média dos últimos cinco anos, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Precisamente por isto, explica a mesma publicação, o saldo natural negativo deverá ser mais elevado do que nunca. «Entre Janeiro e Outubro, a diferença era já de 27.770, um valor sem paralelo neste século», revela sublinhando que se tratam ainda de dados provisórios e sujeitos a acertos.

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