A criação de empresas em Portugal voltou a cair no primeiro trimestre de 2026, com um total de 14.750 novas constituições — menos 5,9% do que no mesmo período do ano passado, o equivalente a menos 928 empresas. Ainda assim, a tendência negativa revela sinais de abrandamento, depois das quedas mais acentuadas registadas em janeiro e fevereiro, que atingiram os 12% face aos mesmos meses de 2025.
Apesar do recuo global, há setores que continuam a dar sinais de resiliência e crescimento. A Construção, as Tecnologias da Informação e Comunicação, os Serviços Empresariais e as áreas de Energia e Ambiente registaram aumentos na criação de novas empresas, com subidas de 4,5%, 7,5%, 2,2% e 2,3%, respetivamente. Estes setores têm vindo a evidenciar uma trajetória positiva desde 2020, refletindo uma procura sustentada e oportunidades de negócio consistentes.
Dentro destas áreas, destacam-se atividades como a construção de edifícios, a informática e eletrónica e, no caso dos serviços empresariais, a manutenção e aluguer, que lideraram o crescimento no arranque do ano.
Em sentido contrário, a agricultura e pecuária, o transporte terrestre e o retalho alimentar foram os setores mais penalizados, registando as maiores quebras na criação de novas empresas.
A nível geográfico, a tendência de queda foi praticamente transversal ao país. Apenas os distritos de Vila Real e Angra do Heroísmo contrariaram o cenário geral, registando aumentos na criação de empresas face ao primeiro trimestre de 2025.
Encerramentos caem para menos de um terço
No que diz respeito ao encerramento de empresas, os dados apontam para uma redução significativa. Nos primeiros três meses de 2026, foram encerradas 2.663 empresas — um valor provisório que representa uma quebra de 33% face ao período homólogo.
Numa análise mais alargada, entre abril de 2025 e março de 2026, encerraram 13.929 empresas, menos 12% do que nos 12 meses anteriores. Esta métrica permite uma leitura mais ajustada da realidade, ao mitigar o desfasamento entre a dissolução efetiva das empresas e a sua publicação oficial.
A descida dos encerramentos foi transversal a praticamente todos os setores e regiões, com destaque para o retalho, que registou uma quebra de 19%. Ainda assim, algumas atividades contrariaram esta tendência, nomeadamente o retalho não especializado por correspondência ou via Internet, que registou um aumento expressivo de 270% nos encerramentos, e a fabricação de calçado, com uma subida de 47%.
Insolvências voltam a subir e interrompem tendência de queda
Depois de um ano de descida, as insolvências voltaram a crescer no início de 2026. No primeiro trimestre, foram registados 531 novos processos de insolvência, mais 3,1% do que no mesmo período de 2025.
Este aumento, no entanto, não foi transversal a toda a economia, verificando-se apenas em cerca de metade dos setores. A Construção destacou-se com uma subida de 27% nas insolvências, enquanto as atividades imobiliárias registaram um aumento ainda mais expressivo, duplicando o número de novos processos.
Os dados reforçam um cenário económico ainda marcado por incerteza, onde a criação de empresas abranda, mas alguns setores continuam a mostrar dinamismo, ao mesmo tempo que os sinais de pressão financeira voltam a emergir em áreas específicas da economia.














