Mais de metade dos jovens viu discurso de ódio ‘online’ no último ano, revela relatório

Mais de metade (52%) das crianças e jovens portugueses inquiridos num relatório afirmam ter visto mensagens de ódio ‘online’ pelo menos uma vez no último ano, proporção que sobe para 72% entre os adolescentes dos 16 aos 17 anos.

Executive Digest com Lusa

Mais de metade (52%) das crianças e jovens portugueses inquiridos num relatório afirmam ter visto mensagens de ódio ‘online’ pelo menos uma vez no último ano, proporção que sobe para 72% entre os adolescentes dos 16 aos 17 anos.

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De acordo com o relatório “Novos usos, novos riscos? Direitos digitais de crianças e jovens (9-17 anos)”, a exposição a discurso de ódio aumenta de forma expressiva com a idade: cerca de um quarto das crianças entre os nove e os 11 anos refere ter encontrado este tipo de conteúdos, enquanto entre os jovens dos 16 aos 17 anos a percentagem chega a 72%.

O relatório considera a exposição a mensagens ou comentários de ódio ‘online’ uma dimensão central dos riscos digitais, tanto pela sua frequência como pelo impacto emocional associado.

Os conteúdos abrangidos incluem mensagens hostis dirigidas a pessoas ou grupos sociais com base, entre outras características, no género, origem étnica, religião, nacionalidade, orientação sexual ou deficiência.

As diferenças entre rapazes e raparigas são reduzidas quando considerada a exposição global, ainda que se registem diferenças segundo o estatuto socioeconómico.

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A exposição é referida por 45% dos jovens de estatuto socioeconómico baixo, 56% dos de nível moderado e 52% dos de nível alto.

O relatório identifica ainda uma exposição crescente a outros conteúdos negativos gerados por utilizadores, enquadrada pelos investigadores numa emergência de novos riscos cognitivos e informacionais.

Entre os conteúdos analisados estão teorias da conspiração, pornografia de adultos, imagens violentas ou repugnantes, desafios suscetíveis de provocar ferimentos graves, conteúdos relacionados com drogas e mensagens sobre formas de autoagressão.

No caso das teorias da conspiração, 37% dos inquiridos dizem ter sido expostos a esse tipo de conteúdos no último ano. A percentagem é de 47% entre os jovens dos 16 aos 17 anos.

O relatório salienta que uma parte relevante desta exposição ocorre de forma não intencional, reforçando o papel das plataformas e dos seus sistemas de recomendação na circulação destes conteúdos.

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Segundo uma das responsáveis pelo relatório, Cristina Ponte, investigadora no Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA), “todo este aumento da dramatização das emoções […] faz alimentar os algoritmos, isto está tudo ligado à inteligência artificial, algo que se intensificou muito nos últimos tempos”, disse à Lusa.

Os resultados fazem parte do EU Kids Online 2025, um inquérito nacional realizado a 2.111 crianças e jovens dos nove aos 17 anos, que analisou os usos da internet, competências e literacia digital, direitos digitais, riscos e formas de mediação familiar e escolar.

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