Mais de metade dos enfermeiros confessa ter agido contra códigos de ética por constrangimentos materiais, revela estudo

Estas são as principais conclusões de um estudo da Universidade Nova, do Instituto Superior Técnico e do Observatório para as Condições de Vida e Trabalho.

Revista de Imprensa

Os enfermeiros estão cada vez mais “desgastados” e “exaustos” com a falta de condições de trabalho com que se têm deparado e o elevado volume de horas que praticam, sem pausas nem férias.

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Estas são as principais conclusões de um estudo da Universidade Nova, do Instituto Superior Técnico e do Observatório para as Condições de Vida e Trabalho hoje avançado pelo jornal ‘Expresso’.

Segundo a pesquisa que contou com quase oito mil inquiridos, 75% sentem-se em contradição interna entre o devem fazer e o que realmente acontece e 85% dizem fazer tudo o que podem sabendo que não é o melhor e 55% confessa já ter agido contra os códigos de ética e normas de conduta por constrangimentos materiais ou orientações da instituição.

A par disso, adianta o jornal, 74% trabalha por turnos, sendo que 60% destes durante a noite, o que mostra a pesada sobrecarga que enfrentam. A maioria dos enfermeiros afirma sentir-se sempre ou várias vezes por semana exaustos, com 71% a dizer que nem consegue descansar nas folgas.

“Um número importante de enfermeiros, 7387 dos cerca de 8 mil inquiridos, não goza sete dias seguidos de férias há mais de 350 dias”, adianta Guadalupe Simões, presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), citada pelo jornal. “Toda a classe apresenta um índice de exaustão elevado — 3,42 quando o valor normal é 2”, acrescenta.

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Já Raquel Varela, coordenadora do estudo, fala num “desgaste imenso que os coloca e aos doentes em risco e uma sobrecarga, para não errarem sabendo que estão exaustos, que nunca é reposta. Daí começarem a adoecer aos 55 anos” e recorda que 65% dos enfermeiros já pensaram mudar de profissão.

“Este é um indicador preocupante, principalmente porque essa manifestação de vontade é recente e porque o número dos que já concretizaram essa mudança também tem aumentado nos últimos anos”, sublinha, ao ‘Expresso’.

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