O investimento em Inteligência Artificial (IA) disparou nos últimos anos, mas provar o seu verdadeiro impacto continua a ser um desafio para muitas empresas. De acordo com novos dados do inquérito anual CFO Insights Survey, da SAP Concur, mais de metade dos líderes empresariais admite dificuldades em medir o retorno destes investimentos.
Segundo o estudo, 54% dos CEOs e 50% dos responsáveis financeiros consideram que a complexidade em avaliar o retorno do investimento (ROI) está a travar a adoção da IA nas organizações. Apesar de existir um consenso de que as bases tecnológicas já estão, em grande parte, implementadas, persiste a incerteza quanto ao valor efetivo gerado.
ROI da IA: perceção positiva, mas ainda incerta
Embora a maioria dos inquiridos se mostre globalmente satisfeita com o rumo da adoção da IA, os dados revelam alguma cautela. Cerca de 39% dos CEOs e 38% dos diretores financeiros consideram que ainda é “muito cedo” para avaliar o impacto real destas tecnologias. Já os responsáveis de TI surgem como os mais otimistas, sendo também os que mais frequentemente indicam que a IA está a superar expectativas.
Esta diferença de perceções reflete, em parte, o papel de cada área dentro das organizações. Enquanto os departamentos de TI acompanham de perto os ganhos operacionais, os líderes financeiros e executivos procuram métricas claras e quantificáveis que permitam atribuir resultados concretos à IA — algo que ainda nem sempre é possível.
Visões diferentes dentro das empresas
O estudo evidencia uma clara divergência na forma como a IA é avaliada. Os responsáveis de TI identificam, em média, mais fatores que contribuem para o retorno do investimento, enquanto CEOs e líderes financeiros tendem a ser mais conservadores.
Entre os principais indicadores usados para medir o ROI estão ganhos de produtividade, poupança de tempo, melhorias de qualidade e redução de custos. Ainda assim, áreas como risco, conformidade e segurança dos dados assumem pesos diferentes consoante a função: os CEOs mostram maior preocupação com vulnerabilidades tecnológicas, enquanto finanças e TI valorizam mais a gestão de risco.
Curiosamente, o impacto na experiência do cliente surge como uma prioridade secundária, sugerindo que muitas iniciativas de IA continuam focadas em processos internos — o que pode dificultar a perceção do seu valor estratégico ao nível do negócio.
Obstáculos persistem à criação de valor
Entre os principais entraves identificados, mais de metade dos responsáveis financeiros (53%) aponta o tempo necessário para que os benefícios se materializem. Além disso, 51% admite que as expectativas iniciais em torno da IA poderão ter sido demasiado elevadas.
A qualidade e integração dos dados surgem também como um fator crítico: 53% dos inquiridos reconhece que limitações nesta área comprometem diretamente o desempenho e o retorno dos projetos de IA.
Como desbloquear o ROI da IA
Para ultrapassar estes desafios, o estudo da SAP Concur identifica três prioridades estratégicas: criar uma estrutura unificada de avaliação do ROI, equilibrar projetos de longo prazo com iniciativas de impacto rápido e investir na qualidade e governação dos dados.
A conclusão é clara: o potencial da IA é amplamente reconhecido, mas o seu valor só será plenamente concretizado quando houver alinhamento entre quem financia e quem implementa estas soluções. Até lá, medir o retorno continuará a ser um dos maiores testes à maturidade digital das organizações.






