O risco de alguns países do mundo serem afectados pela pandemia de Covid-19 é agora maior, uma vez que mais de metade da população a nível mundial, não tem acesso a saneamento básico, de acordo com especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU), no âmbito das comemorações do dia mundial da água, citados pelo ‘The Guardian’.
Uma boa higiene, que requer apenas dois produtos básicos: sabão e água, é a primeira linha de defesa contra o coronavírus e contra muitas outras doenças.
Contudo, cerca de três quartos das famílias dos países em desenvolvimento, não têm acesso a regras básicas de saneamento, tais como um simples local para se poderem lavar com água e sabão, de acordo com Tim Wainwright, chefe executivo da instituição de caridade WaterAid. Para além disso, também um terço dos serviços de saúde dos países em desenvolvimento não tem acesso a água potável.
«É realmente óbvio que em África e em algumas zonas da Ásia devemos ter muito receio daquilo que está por vir», disse Wainwright, acrescentando que «a crise do coronavírus destaca a vulnerabilidade do mundo».
O relatório do ‘Desenvolvimento Mundial da Água’, da ONU revelou que a principal causa desta falta de saneamento se prende com o subfinanciamento da infraestrutura hídrica, um pouco por todo o mundo.
Richard Connor, editor-chefe do relatório, disse ao ‘Observer’ que a água é muitas vezes negligenciada em gastos e investimentos, porque não são reforçados os benefícios económicos de um maior saneamento e de uma água com mais qualidade. Agora, com a crise do coronavírus, este tipo de problemas volta a surgir.
«Uma das razões associadas à falta de investimento em água e saneamento é que este tipo de serviços é visto sobretudo como uma questão social e, em alguns casos, ambiental, nunca económica», disse Connor. «No entanto, o impacto económico de um surto (como a Covid-19) é enorme, tanto em termos de economias nacionais e mercados de ações, como em termos de receitas das famílias. Perceber a importância económica da água e do saneamento deve fornecer um catalisador adicional para maiores investimentos», revelou citado pelo ‘The Guardian’.
Outra razão apontada para a falta de água e saneamento é o facto de que normalmente, as pessoas estão dispostas a pagar pela água que consomem em casa, mas não pelo transporte ou tratamento da mesma. «Assim que a água sai pela sanita, desaparece e torna-se um problema de outra pessoa», disse Connor. «O tratamento de águas residuais é muitas vezes mais caro do que o tratamento da água de origem. Portanto, se os utilizadores não estiverem disponíveis para pagar cabe aos governos arcar com esse custo e, como não reconhecem o valor económico do tratamento de águas residuais, a vontade política por trás desses gastos é baixa», refere Connor.
No entanto, Connor refere que melhorar o acesso à água e ao saneamento básico constitui claros benefícios, na crise do coronavírus e fora dela. O editor cita evidências que sugerem que um investimento devido em água e saneamento, pode trazer uma melhoria substancial na qualidade do serviço prestado.
Wainwright disse que o ingrediente chave para a resolução dos problemas hídricos do mundo, em conjunto com o financiamento, é uma melhoria na gestão da água.
«A água precisa de ser bem gerida», disse. «Geralmente é aquilo que falta. O mundo não está a ficar sem água, mas existe um «stress hídrico». Há uma competição por recursos hídricos, mas garantir que as pessoas que precisam de água a recebem, é um bom investimento».








