O número de alunos sem professores a uma ou mais disciplinas continua a aumentar – em setembro último eram 60 mil os jovens nessa situação, agora são mais de 80 mil. Comparado com dados do ano passado, o balanço é negativo. “Em 2021, até 10 de outubro foram pedidos, em oferta de escola, 6.384. Este ano são 6.899, mais 500. Significa que há mais horários que não foram ocupados e mais alunos sem professores. E se retiramos destas contas os horários com menos de oito horas (são os que vão diretamente para oferta de escola, sem passar pelas reservas de recrutamento), eram 3.030, em 2021 e agora são 3.784”, explicou Davide Martins, professor de Matemática, em declarações ao ‘Diário de Notícias’.
O problema agrava-se quando, na lista da Caixa Geral de Aposentações já publicada, é indicado que vão aposentar-se 205 professores do Pré-Escolar ao Secundário. Desde 1 de janeiro são já 2.107 docentes que se retiraram da vida ativa, o maior número desde 2013 (quando saíram 4.628).
Ainda falta dezembro e o ano ameaça acabar com mais de 2300 reformas, o “que é superior ao de alunos que concluíram cursos para ingressar na carreira”, frisa Mário Nogueira. O número de aposentações não pára de subir desde 2018 (quando se reformaram 669) e as previsões são que “no próximo ano possam atingir as 3000 e a partir de 2027 as 4000”, aponta Nogueira. Além disso, alerta o líder da Fenprof, estes professores que estão a sair podem estar com turmas atribuídas, o “que num momento em que as listas de recrutamento estão quase vazias, as substituições tornam-se mais difíceis”.
As medidas extraordinárias do Ministério da Educação não têm surtido efeito. Os números “são ainda mais preocupantes porque, apesar das medidas do ministério, não há um abrandamento da escassez de professores. A situação agrava-se apesar das medidas que foram implementadas”, explicou o especialista, sublinhando que “dos 35 grupos de recrutamento existentes, mais de metade dos horários por atribuir está concentrada em três grupos: 1º ciclo, Educadores de Infância e Educação Física”, sobretudo nas regiões de Lisboa e Algarve, as mais afetadas pela falta de docentes.
O problema, sustentou, é haver menos professores disponíveis neste ano letivo. “Estamos num ponto muito semelhante ao do ano passado. Este ano há menos professores colocados em Lisboa e há menos professores disponíveis nesta altura”, referiu: no ano passado, em igual período (até 10 de outubro), estavam 21.221 professores por colocar nas listas de Reserva de Recrutamento. Este ano, são 19.987, menos 1.234.


