Mais de 80% das doses da vacina da Pfizer já foram vendidas. Mas apenas aos países mais ricos

Os EUA podem adquirir até 600 milhões de doses da vacina, o Reino Unido reservou 40 milhões de doses, enquanto o Japão e a UE garantiram 120 milhões e 300 milhões, respetivamente.

Simone Silva

A Pfizer já vendeu 82% do seu stock de vacinas contra a Covid-19 a alguns dos países mais ricos do mundo, de acordo com uma análise avançada pelo ‘Independent’ e que levanta preocupações sobre a possibilidade de os mais pobres não terem acesso ao fármaco.

A gigante farmacêutica e seu parceiro alemão BioNTech pretendem produzir um total de 1,35 mil milhões de doses da vacina ao longo de 2021, no entanto a grande maioria delas já está reservadas para nações como Reino Unido, Japão, Estados Unidos e União Europeia (UE). Estas regiões, que compraram centenas de milhões de doses uns dos outros, representam apenas 14% da população mundial.

O estudo que permitiu chegar a estes dados foi conduzido pela Global Justice Now, um grupo de campanha de saúde e justiça social sediado no Reino Unido, que alertou para o facto de que a falta de acesso equitativo à vacina da Pfizer, poderia pôr em perigo milhares de vidas em todo o mundo.

Uma outra pesquisa da Fundação Bill e Melinda Gates mostra que a distribuição global equitativa das vacinas Covid-19 evitaria 61% das mortes associadas à doença, em comparação com apenas 33% das mortes que seriam evitadas se as nações mais ricas tivessem prioridade.

Os cientistas saudaram um avanço na luta contra a Covid-19 depois de a Pfizer e da BioNTech terem anunciado, no início desta semana, que a sua vacina mostrou ser 90% eficaz na prevenção de doenças, nomeadamente do novo coronavírus.

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No entanto, agora que os governos estão numa corrida feroz para garantir doses da vacina para suas próprias populações, existe cada vez mais um medo crescente de que os países mais pobres do mundo sejam obrigados a ficar no fim da fila.

Heidi Chow, diretora sénior de políticas da Global Justice Now, considera que o anúncio da vacina da Pfizer foi «uma boa notícia apenas para uma pequena fração da humanidade», refere acrescentando: «Temos de quebrar o monopólio desta vacina para que mais fabricantes possam produzi-la», afirma citada pelo ‘Independent’.

«Tal poderia ser feito através da partilha da vacina pela Pfizer com o grupo global da Organização Mundial de Saúde (OMS), para que o conhecimento tecnológico e os direitos de patente sejam partilhados, permitindo que um maior número de empresas a produza, o mais rápido possível», indica Chow.

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A responsável defende ainda que «se não o fizerem, a Organização Mundial do Comércio deve agir para suspender as patentes de todos os medicamentos contra a Covid-19, conforme proposto pela África do Sul e Índia. Caso contrário, caminhamos para uma escassez criada artificialmente que é completamente inaceitável durante uma pandemia global e que vai custa ainda mais vidas».

Os Estados Unidos, segundo o jornal britânico, podem adquirir até 600 milhões de doses da vacina, nos termos do acordo firmado com a Pfizer. O Reino Unido reservou 40 milhões de doses, enquanto que o Japão e a UE garantiram 120 milhões e 300 milhões, respetivamente.

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