Mais de 70% dos portugueses tem medo de frequentar hospitais e centros de saúde

Cerca de 26% dos portugueses deixou mesmo de frequentar estabelecimentos de saúde, dos quais 32% são doentes crónicos. O facto é explicado pelo receio de serem contagiados com o novo coronavírus.

Simone Silva

Com receio de serem contagiados pelo novo coronavírus, cerca de 74% da população portuguesa tem medo de frequentar estabelecimentos de saúde e 26% afirma mesmo que deixou de recorrer aos serviços médicos, de acordo com dados recolhidos por um inquérito do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica, realizado para o ‘Público’ e para a ‘RTP’.

Para além do medo de um possível contágio, o adiamento de consultas, exames ou outras intervenções, também pode estar na origem desta falta de comparência nos estabelecimentos médicos. Contudo, o inquérito realizado a 1700 pessoas, entre os dias 6 e 9 de Abril, não permite saber quais os motivos que levam as pessoas a deixar de frequentar os serviços de saúde, mas antes verificar que entre as pessoas que dizem pertencer a grupos de risco, sobem para 32% os que deixaram de recorrer ao médico.

Os dados surgem numa altura em que 23% dos portugueses assumem que se sentem pior fisicamente, do que se sentiam antes da pandemia da Covid-19, que forçou muitos a permanecer fechados em casa. O mais curioso é que são os jovens, com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos que mais manifestam esta pioria do seu estado de  saúde, numa considerável percentagem de 33%. Se falarmos dos idosos com idade igual ou superior a 65 anos, o número desce para os 17%.

O inquérito revela ainda que não é apenas o corpo dos portugueses que começa a acusar os efeitos da epidemia, mas também a mente. Isto porque 35% dos inquiridos sobre o seu estado de saúde mental, dizem estar pior do que antes da crise. E, mais uma vez, não são os mais velhos a acusar os efeitos do isolamento social na sua saúde mental, uma vez que a sua percentagem corresponde a apenas 25%. Já quando falamos no intervalo dos 35 aos 44 anos de idade, a proporção sobe para os 49%. Um pouco mais abaixo, no grupo dos que têm entre 25 e 34 anos, são 44% os que acusam a degradação do estado de saúde mental, numa proporção que se repete no grupo etário imediatamente abaixo, entre os 18 e os 24 anos de idade.

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