As autoridades portuguesas estiveram entre os países que participaram numa megaoperação internacional que permitiu desmantelar esquemas de distribuição de moeda contrafeita através de serviços postais, resultando na apreensão de quase um milhão de itens falsificados, com um valor estimado em mais de 66 milhões de euros. A ação, apoiada pela Europol, envolveu forças policiais e aduaneiras de 18 países e decorreu entre outubro de 2024 e março de 2025.
De acordo com o comunicado oficial da Europol, divulgado esta quarta-feira, foram intercetados 297 encomendas contendo notas e moedas falsas, incluindo euros, dólares norte-americanos e libras esterlinas. No total, foram recolhidos mais de 990 mil itens, entre os quais se contam mais de 280 mil euros, 679 mil dólares e 12 mil libras em moeda contrafeita. O organismo europeu sublinha que a operação desencadeou 102 novas investigações contra redes criminosas ligadas a este tipo de crime económico.
A investigação foi conduzida pela Áustria, Portugal e Espanha, com apoio técnico do Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF). A Europol desempenhou um papel central na coordenação e troca de informação, ajudando também a refinar os indicadores de risco para identificar remessas suspeitas. Segundo a agência europeia, a cooperação reforçada entre polícias e alfândegas “permitiu alcançar resultados significativamente melhores do que na fase anterior da operação”.
As autoridades revelaram ainda que vários dos grupos criminosos desmantelados operavam fora da União Europeia, sobretudo na Ásia, mas também em países da América e do Médio Oriente. Um dos exemplos mais expressivos ocorreu na Roménia, onde uma única ação coordenada permitiu apreender 600 mil dólares falsificados.
Grande parte das notas e moedas apreendidas correspondia a reproduções de “design alterado”, popularmente conhecidas como ‘movie money’. Estas imitações têm cor e formato semelhantes às notas verdadeiras, incluindo apenas uma pequena marca a indicar que se trata de falsificações. Como tal sinal é frequentemente ignorado, os criminosos conseguem introduzir estas notas no circuito económico como se fossem genuínas.
A Europol conclui que esta operação não só permitiu travar a entrada massiva de moeda falsa no mercado europeu como também proporcionou aos investigadores um melhor conhecimento das rotas de tráfico e métodos usados pelas redes criminosas, reforçando a capacidade de prevenção futura.














