Mais de 53 mil portugueses esperam por consulta de ortopedia e 20 mil por cirurgia. Três em cada 10 ortopedistas está à beira da reforma

Há mais de 53 mil pessoas em Portugal à espera de consulta de Ortopedia há mais de 5 meses, prazo que ultrapassa o que está determinado na lei, e mais de 20 esperam há largos meses por vaga para cirurgia ortopédica.

Revista de Imprensa
Março 28, 2023
10:38

Há mais de 53 mil pessoas em Portugal à espera de consulta de Ortopedia há mais de 5 meses, prazo que ultrapassa o que está determinado na lei, e mais de 20 esperam há largos meses por vaga para cirurgia ortopédica.

O cenário não é novidade, mas tem vindo a agravar-se e a tendência é que a situação continue a piorar. O Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e o Hospital de Santarém já alertaram para dificuldades, estando a beira da rotura no que diz respeito à ortopedia, em especial noturna, bem como o Hospital de São Bernardo também vivia dificuldades nesta especialidade no final do ano passado.

Também o Hospital Garcia de Orta, em Almada, e o São José, em Lisboa estarão à beira da rotura nesta especialidade, segundo noticia a CNN Portugal, seno que esta unidade assegura que “tem feito todos os esforços para assegurar o serviço de urgência de Ortotraumatologia, sendo que, esporadicamente, por falta de elementos na equipa médica de Ortopedia /Traumatologia, pode ser necessário o encaminhamento de doentes urgentes”.

Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos, alerta que a Ortopedia está em risco de ver um cenário em tudo igual ao vivido nas áreas de Ginecologia-Obstetrícia e Pediatria, com urgências entupidas, falta de profissionais e serviços em risco de encerramento. O responsável sindical aponta que, no Hospital de Faro, há mais de dois anos que não se conseguem garantir as escalas de Ortopedia.

A situação tende a piorar, se se tiver em consideração o envelhecimento dos profissionais desta especialidade: em 2022 eram 1373 os médicos ortopedistas, sendo que mais de metade (57,3%) tinham mais de 55 anos, idade a partir do qual podem rejeitar escalas de urgências noturnas ou diurnas, caso o profissional se encontre a trabalhar em meio hospitalar.

Apenas 20%, segundo os dados do Ministério da Saúde, tinham menos de 40 anos e um terço (34%) tinham mais de 65 anos e estavam à beira da reforma.

A Ordem dos Enfermeiros denuncia também a falta destes profissionais especializados na Enfermagem de Reabilitação, associada à Ortopedia.

Com um SNS cada vez menos atrativo para construir carreira, são também cada vez mais os jovens ortopedistas que acabam por seguir para o setor privado, o que podem comprometer ainda mais a falta de médicos ortopedistas nos hospitais públicos, e alargando ainda mais os tempos de espera que, por exemplo, no caso do Hospital de Loures, chegam a 2 anos para uma consulta da especialidade.

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