Há neste momento 30.178 espécies ameaçadas de extinção, segundo a última actualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, divulgada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), para coincidir com a realização em Madrid da 25.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas em Madrid. No total, correspondem a aproximadamente 27% de todas as espécies avaliadas.
Existem actualmente 112.432 espécies, com diferentes níveis de ameaça. De acordo com esta última revisão, há 1840 novas espécies ameaçadas e outras que viram a sua situação piorar e mudaram de estatuto, como o coelho-europeu (Oryctolagus cuniculus) que passou de «quase ameaçado» (ou seja, próximo do limiar de ameaça ou ameaçada caso não sejam tomadas medidas adicionais de conservação) desde 2008, para «ameaçado» de extinção. «Um novo surto da doença hemorrágica viral dos coelhos causou declínios estimados da população que chegam aos 70%» no seu território natural (Portugal, Espanha e Sul de França), explica a UICN em comunicado.
A extinção de coelhos poderá ameaçar outras espécies que se alimentam desde animais ou que dependem deles para se reproduzir, nomeadamente o lince-ibérico (Lynx pardinus), «ameaçado» de extinção, e a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti), classificada como «vulnerável’».
Há também uma espécie de macacos originária do Quénia (Piliocolobus rufomitratus) que está entre as 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo e que se encontra agora «criticamente Ameaçada». Em causa está a perda de habitat causada por inundações, pela agricultura, incêndios e desflorestação.
A lista integra ainda uma espécie de morcego endémica de Madagáscar e ilhas vizinhas (Rousettus madagascariensis), que passou a estar «ameaçada» de extinção, sobretudo devido à caça. Os especialistas suspeitam que esta população de morcegos diminuiu mais de 30% nos últimos 15 anos. Junta-se o mexilhão Pinna nobilis, um bivalve nativo do Mediterrâneo «criticamente ameaçado» de extinção devido a um patogénico recentemente descoberto (Haplosporidium pinnae) que está a provocar «a morte de 80 a 100% dos mexilhões afectados».
Já o Garypus titanius, o maior pseudo-escorpião do mundo, e o fungo Podoserpula miranda, «criticamente» ameaçados de extinção devido à introdução nos seus territórios de espécies invasoras. E 37% dos peixes fluviais da Austrália encontram-se ameaçados de extinção, mais de metade devido às alterações climáticas.
Ainda assim, melhorou o estatuto de conservação para oito espécies de aves e duas de peixes de água doce. É o caso de uma ave que não voa (Hypotaenidia owstoni), nativa da ilha de Guam, que passou a «criticamente Ameaçada» graças a um programa de reprodução em cativeiro, que durou 35 anos.










