No primeiro semestre de 2024, mais de três mil homens foram vítimas de violência doméstica em Portugal, conforme revelado por um comunicado divulgado no domingo pela Polícia de Segurança Pública (PSP). Este dado faz parte de um panorama mais amplo, onde as mulheres continuam a ser as mais afetadas, com mais de cinco mil vítimas registradas nos primeiros seis meses do ano.
De acordo com a PSP, o número de casos de violência doméstica registados no primeiro semestre de 2024 mostra um aumento de cerca de 1,8% em comparação com o mesmo período de 2023. A força de segurança sublinha ao Correio da Manhã que a violência nas relações amorosas pode manifestar-se de várias formas, incluindo violência física, psicológica, emocional, social, sexual e económica. “Injuriar, ameaçar, ofender, agredir, humilhar, perseguir ou devassar a intimidade são exemplos de formas de violência”, detalha o comunicado da PSP.
No que diz respeito aos agressores, os dados do primeiro semestre indicam que 2.371 são do sexo feminino e 8.613 são do sexo masculino. Esta estatística reflete uma predominância de agressões cometidas por homens, embora as mulheres também estejam envolvidas em situações de violência doméstica.
A PSP nota uma crescente disposição das vítimas, testemunhas e outros intervenientes para denunciar crimes de violência doméstica. Este aumento na denúncia tem sido fundamental para reduzir o número de crimes não reportados. Entre 1 de janeiro e 30 de junho de 2024, a PSP efetuou um total de 460 detenções relacionadas com casos de violência doméstica. Dessas detenções, 298 foram realizadas em flagrante delito, enquanto 162 foram realizadas fora de flagrante, por meio de mandados de detenção. Dentre os detidos, 431 são homens e 29 são mulheres. Importa ressalvar que esses dados referem-se exclusivamente às situações reportadas à PSP, não abrangendo os casos denunciados à Guarda Nacional Republicana (GNR).
No comunicado, a PSP destaca uma preocupação crescente com comportamentos abusivos em casais mais jovens. “Não é aceitável que um parceiro queira controlar o que o outro veste, com quem se relaciona, incluindo o círculo de familiares e amigos, ou que queira saber constantemente onde o parceiro se encontra e com quem”, enfatiza a PSP. Este tipo de comportamento, frequentemente confundido com preocupação, é caracterizado como abusivo e gera grande ansiedade nas vítimas.
Para enfrentar este problema, a PSP implementou as Estruturas de Atendimento Policial a Vítimas de Violência Doméstica. Estas estruturas estão localizadas nos comandos metropolitanos do Porto e Lisboa, bem como nos comandos distritais de Castelo Branco, Évora, Portalegre, Setúbal e Viseu. Além do atendimento presencial, a PSP disponibiliza um canal de e-mail para denúncias, acessível através do endereço violenciadomestica@psp.pt.
A PSP destaca que todas as situações reportadas são imediatamente avaliadas quanto ao risco, com o objetivo de implementar rapidamente as medidas de proteção necessárias para a segurança das vítimas.












