Mais de 250 luso-venezuelanos encontram novo lar no Alentejo. Empresa tem sido chave para integração da comunidade

O processo de recrutamento dos trabalhadores começou há oito anos, numa época em que Portugal ainda lidava com as consequências da Troika e a Venezuela enfrentava uma crise política e social severa.

Executive Digest
Agosto 1, 2024
17:56

Nos últimos oito anos, a Herdade do Vale da Rosa, uma das maiores produtoras de uva de mesa de Portugal, tem sido o destino de mais de 250 luso-venezuelanos, recrutados e acolhidos por António Silvestre Ferreira. Este empresário português tem desempenhado um papel crucial na integração desta comunidade na região de Ferreira do Alentejo, contribuindo significativamente para a revitalização local.

Segundo conta à TSF, o processo de recrutamento dos trabalhadores começou há oito anos, numa época em que Portugal ainda lidava com as consequências da Troika e a Venezuela enfrentava uma crise política e social severa. António Silvestre Ferreira, sensibilizado pela situação dos refugiados, iniciou uma parceria com a comunidade luso-venezuelana na ilha da Madeira, recrutando inicialmente através desta rede.

Com o passar do tempo, o recrutamento foi expandido. Nos últimos quatro anos, a Herdade do Vale da Rosa começou a recrutar diretamente na Colômbia e no Peru, países vizinhos da Venezuela que acolhem um grande número de refugiados venezuelanos. A empresa de Ferreira organiza missões de recrutamento duas a três vezes por ano, com o auxílio de uma empresa local especializada.

António Silvestre Ferreira recorda a situação desoladora dos refugiados, muitos dos quais chegaram a Portugal com histórias de sofrimento extremo, como filas intermináveis para comprar alimentos básicos e a falta de produtos essenciais. “Até o cão ficou para trás”, recorda uma das histórias de um recém-chegado, à mesma rádio, uma situação que remete às dificuldades que a própria família de Ferreira enfrentou há 50 anos, quando emigraram do Brasil para a Venezuela.

Com o tempo, os luso-venezuelanos têm se estabelecido nas freguesias de Alfundão e Peroguarda, no concelho de Ferreira do Alentejo. A chegada destes trabalhadores trouxe não só um alívio económico para a Herdade do Vale da Rosa, mas também um impacto positivo na vida comunitária local. O número de fiéis nas missas dominicais aumentou, com o padre local a expressar a sua satisfação pela presença desta nova comunidade, que é extremamente religiosa.

Embora o trabalho na herdade seja predominantemente sazonal, com base nos ciclos de produção de fruta, António Silvestre Ferreira tem se esforçado para oferecer mais oportunidades aos seus trabalhadores. A recém-criada Fundação Vale da Rosa, em colaboração com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e instituições de ensino superior da região, disponibiliza programas de formação profissional para ajudar na integração e desenvolvimento de competências.

Apesar do clima de incerteza em relação ao futuro político da Venezuela, Ferreira está determinado a continuar o recrutamento de venezuelanos. O empresário explica que planeia expandir o modelo de recrutamento para outras nacionalidades, incluindo timorenses. Esta persistência é motivada pelas semelhanças que encontra com a história da sua própria família e pela crença na importância de oferecer novas oportunidades a quem enfrenta dificuldades.

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