Mais de 250 bombeiros morreram em serviço nos últimos 45 anos

O ano mais trágico foi 1985, quando 19 operacionais perderam a vida no combate a um incêndio florestal.

Revista de Imprensa
Agosto 19, 2025
9:41

Nos últimos 45 anos morreram em serviço 257 bombeiros em Portugal, segundo dados da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) citados pelo Jornal de Notícias. O ano mais trágico foi 1985, quando 19 operacionais perderam a vida no combate a um incêndio florestal. Este ano, até meados de agosto, registam-se já dois óbitos – ambos em acidentes de viação ligados a operações de combate a fogos – e cerca de 240 feridos, mais de metade nas últimas três semanas.

De acordo com a LBP, entre 1980 e 2025, os anos mais negros foram 1985, 1986 e 2005, com 19, 18 e 16 mortos, respetivamente. Em 2013, quando arderam mais de 150 mil hectares, dez bombeiros perderam a vida, sendo 2019 o único ano sem registo de vítimas mortais. Em 2025, um bombeiro de Odemira morreu em janeiro após um despiste, enquanto um bombeiro da Covilhã faleceu no domingo passado, vítima de capotamento numa viatura em marcha de emergência.

O presidente da LBP, António Nunes, recusa simplificações nas causas destes acidentes. “Nem todos resultam da imperícia dos condutores”, disse ao JN. Sobre o caso mais recente, explicou que “o carro tombou porque a estrada cedeu, após ter sido aberta por uma máquina de arrasto”. Para o dirigente, importa perceber que “as situações que se têm passado são com viaturas em marcha de emergência”.

A pressão sobre os operacionais é evidente: desde 26 de julho, 140 bombeiros foram assistidos devido a inalação de fumo, entorses e fraturas. António Nunes sublinha que, num dispositivo diário de cinco mil elementos, “é quase improvável não haver incidentes”, frisando tratar-se de uma “profissão de risco” marcada por “muitas horas seguidas de combate, sem dormir e sem comer”. Já Fernando Curto, presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, defende que os motoristas sejam acompanhados por graduados conhecedores do terreno e aponta falhas no investimento: “O Governo e as autarquias borrifam-se para a proteção civil”.

Além da necessidade de maior valorização, os dirigentes criticam a escassez de meios. António Nunes recorda que, entre 2012 e 2024, foram entregues apenas 81 viaturas aos corpos de bombeiros, num total de 464 existentes no país. “Está tudo desajustado, tem que ser pensado de maneira diferente e os bombeiros têm que ser ouvidos”, defendeu, após reunião com o Presidente da República. Já Fernando Curto considera essencial que “todos os municípios tenham um corpo de bombeiros profissional coadjuvado por voluntários”, lamentando que muitas recomendações de comissões parlamentares “não sejam tidas em conta”.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.