Mais de 2,3 milhões de portugueses em risco de pobreza em 2020. Números disparam e Portugal sobe no ranking dos mais pobres da UE

Também a taxa de risco de pobreza (percentagem de pessoas que ficam abaixo do limiar de risco da pobreza) aumentou para 43,5% – um aumento de 1,1%, face a 2019 – antes dos apoios e transferências sociais.

Pedro Zagacho Gonçalves

No primeiro ano da pandemia, 2020, disparou para mais de 2,3 milhões o número de portugueses em risco de pobreza ou exclusão social. Os números representam um aumento de 12,5%, algo que não acontecia desde 2014, segundo as estatísticas da Pordata, da base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, reveladas esta segunda-feira para assinalar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

O número da população em risco de pobreza ou exclusão social, assinalam os dados, voltou a atingir valores perto dos registados em 2017 (2,2 milhões de portugueses).

Também a taxa de risco de pobreza (percentagem de pessoas que ficam abaixo do limiar de risco da pobreza) aumentou para 43,5% – um aumento de 1,1%, face a 2019 – antes dos apoios e transferências sociais. Após estes apoios, a taxa de risco de pobreza também aumentou para 18,4%, um aumento de 2,2% face a 2019, e um valor próximo do registado em 2016 (18,3%), segundo os dados da Pordata.

Também foi registado um aumento do rácio de desigualdade de distribuição de rendimentos, para 5,7, face aos 5 registados em 2019, atingido valor igual ao registado em 2016.

Assinala a Fundação Francisco Manuel dos Santos que que, em Portugal, no ano de 2020, o valor abaixo do qual alguém é considerado pobre situava-se nos 6653 euros por ano, 554 euros por mês (em 12 meses).

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Em comparação com os países da União Europeia, perante os indicadores registados em 2019 e 2020, Portugal registou um resultado negativo e subiu no ranking dos mais pobres da EU: passa a ocupar o 8.º lugar dos países com mais população em risco de pobreza (em 2019 estava em 23.º lugar), sobe para o 10.º dos países com maior taxa de risco de pobreza após transferências sociais (antes estava em 12.º) e passa a 8.º nos países com maior desigualdade na distribuição de rendimento (em 2019 estava em 10.º).

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