Mais de 1500 médicos já entregaram as declarações de escusa às horas extraordinárias para além do limite legal das 150 horas (já cumprido) e, segundo indica a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), há “mais de duas dezenas de hospitais em risco de ficarem sem serviços de urgência”.
Em comunicado, a estrutura sindical avisa que “Viana do Castelo, Vila Real, Penafiel, Bragança, Guarda, Viseu, Aveiro, Leiria, Santarém, Lisboa e Almada são alguns dos locais onde a situação é mais desesperante”, fazendo referência ao movimento de médicos que recusam fazer mais horas extra e que começou, em agosto, no Hospital de Viana do Castelo, mas que tem ganho tração com falhanço das negociações entre sindicatos dos médicos e governo pelas melhores condições de trabalho e salários mais altos no SNS.
Há escalas de outubro por preencher, e hospitais que já estão a deslocar equipas e cancelar consultas perante a dificuldade de conseguir garantir médicos nas urgências, adivinhando-se caos nos próximos meses.
“O SNS não pode estar dependente das 8 milhões de horas extraordinárias que os médicos realizam por ano”, considera a FNAM, que já tem greves nacionais marcadas para 17 e 18 de outubro, e uma manifestação no primeiro dia da paralisação.
O sindicato alerta que o ministro da Saúde Manuel Pizarro tem ainda tempo de fazer alguma coisa para travar a onda de contestação.
“O Ministério da Saúde tem que ter a coragem de retroceder na sua inflexibilidade, abandonar a escolha de não ouvir quem está no terreno e não incorporar as propostas da FNAM para as grelhas salariais e melhoria das condições de trabalho dos médicos no SNS, e desenvolver um programa tão urgente quanto a emergência de salvar não só os serviços de urgência, mas todos os serviços que estão a ser vítimas da sua inoperância e incompetência”, termina o sindicato.













