Mais de 1500 médicos já recusaram horas extra e há mais de 20 hospitais “em risco de ficarem sem serviços de urgência”, avisa FNAM

Mais de 1500 médicos já entregaram as declarações de escusa às horas extraordinárias para além do limite legal das 150 horas (já cumprido) e, segundo indica a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), há “mais de duas dezenas de hospitais em risco de ficarem sem serviços de urgência”.

Pedro Gonçalves
Setembro 29, 2023
11:23

Mais de 1500 médicos já entregaram as declarações de escusa às horas extraordinárias para além do limite legal das 150 horas (já cumprido) e, segundo indica a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), há “mais de duas dezenas de hospitais em risco de ficarem sem serviços de urgência”.

Em comunicado, a estrutura sindical avisa que “Viana do Castelo, Vila Real, Penafiel, Bragança, Guarda, Viseu, Aveiro, Leiria, Santarém, Lisboa e Almada são alguns dos locais onde a situação é mais desesperante”, fazendo referência ao movimento de médicos que recusam fazer mais horas extra e que começou, em agosto, no Hospital de Viana do Castelo, mas que tem ganho tração com falhanço das negociações entre sindicatos dos médicos e governo pelas melhores condições de trabalho e salários mais altos no SNS.

Há escalas de outubro por preencher, e hospitais que já estão a deslocar equipas e cancelar consultas perante a dificuldade de conseguir garantir médicos nas urgências, adivinhando-se caos nos próximos meses.

“O SNS não pode estar dependente das 8 milhões de horas extraordinárias que os médicos realizam por ano”, considera a FNAM, que já tem greves nacionais marcadas para 17 e 18 de outubro, e uma manifestação no primeiro dia da paralisação.

O sindicato alerta que o ministro da Saúde Manuel Pizarro tem ainda tempo de fazer alguma coisa para travar a onda de contestação.

“O Ministério da Saúde tem que ter a coragem de retroceder na sua inflexibilidade, abandonar a escolha de não ouvir quem está no terreno e não incorporar as propostas da FNAM para as grelhas salariais e melhoria das condições de trabalho dos médicos no SNS, e desenvolver um programa tão urgente quanto a emergência de salvar não só os serviços de urgência, mas todos os serviços que estão a ser vítimas da sua inoperância e incompetência”, termina o sindicato.

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