Há cada vez mais professores a desistir do seu sonho de ensinar, sendo que só numa década foram mais de 10 mil aqueles que saíram da profissão por falta de condições de trabalho.
Segundo o ‘Diário de Notícias’ (DN), instabilidade da carreira, burocracia em demasia, perda de autoridade e excesso de alunos por turma são alguns dos motivos que levam muitos docentes a desistir de ensinar.
“Mais de 10 mil professores saíram da profissão e não estão para voltar porque as condições são as que nós sabemos. Não vale a pena tentar fingir que não existe este problema”, refere Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, citado pelo jornal.
“Fomos alertando e nunca foi motivo de grande preocupação. Os números não enganam”, disse o dirigente sindical, adiantando que se trata de um problema antigo e temendo que haja um “regresso ao passado, ao que se verificava nos anos 1990, quando professores sem habilitação para o ensino davam aulas”.
Por esse motivo, Mário Nogueira pede medidas urgentes para combater a falta de professores, numa altura em que, após o arranque do 2.º período, ainda existem milhares de alunos sem um ou mais professores.
Já André Pestana, coordenador nacional do Sindicato de Todos os Professores (STOP), considera que as “condições de trabalho degradadas” são a origem do problema e alerta para os perigos da falta de habilitações para a docência, porque “já se está a aceitar professores sem formação específica”, refere ao ‘DN’.
O jornal adianta ainda que em 2021 reformaram-se cerca de dois mil professores, sendo este o número mais elevado desde 2013. A estimativa da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) é de que, até ao ano 2030, 52 mil professores vão reformar-se, um número que corresponde a quase 60% dos docentes que se encontram no ativo.
Para corroborar estes dados, um estudo apresentado há dois meses pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, em colaboração com a DGEEC, concluiu que será necessário contratar 34,5 mil profissionais até ao final da década para assegurar que não haverá falta de docentes nas escolas.






