Maior sonegador de impostos do Brasil incluído na lista da Interpol

Brasília 15 mai 2026 (Lusa) – A Justiça brasileira autorizou hoje a inclusão na lista da Interpol do nome do empresário do setor de combustíveis Ricardo Magro, apontado pelas autoridades policiais e tributárias como o maior sonegador fiscal do Brasil.

Executive Digest com Lusa

Brasília 15 mai 2026 (Lusa) – A Justiça brasileira autorizou hoje a inclusão na lista da Interpol do nome do empresário do setor de combustíveis Ricardo Magro, apontado pelas autoridades policiais e tributárias como o maior sonegador fiscal do Brasil.


Controlador do Grupo Refit, Ricardo Magro é acusado de dirigir empresas que sonegaram 26 mil milhões de reais, o equivalente a 4,4 mil milhões de euros, em impostos aos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.


Como Ricardo Magro vive fora do Brasil, o Supremo Tribunal Federal atendeu um pedido da Polícia Federal brasileira de prisão do empresário e autorizou a inclusão do seu nome na lista da Difusão Vermelha da Interpol.


Com este mecanismo internacional para captura de foragidos, as informações sobre o empresário ficam disponíveis para as forças policiais dos países-membros, que podem, inclusive, deter o brasileiro. 


Ricardo Magro voltou também a ser alvo hoje de uma ação da Polícia Federal (PF) na operação “Sem Refino”, que bloqueou 52 mil milhões de reais (cerca de 8,93 mil milhões de euros) dos investigados e das empresas lideradas pelo empresário. 

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“A ação apura a atuação de um conglomerado económico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar a estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”, explicou a polícia em comunicado.


A Refit confirmou, também em comunicado, que “questões tributárias envolvendo a companhia estão sendo discutidas no âmbito judicial e administrativo”, referindo que operações contra refinaria “prejudicam a concorrência no setor de combustíveis e privilegiam a atuação de um cartel”.


Segundo a investigação, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Distrito Federal. 

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Entre os alvos de busca e apreensão está o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que deixou o cargo para se lançar como candidato ao Senado, mas foi considerado inelegível pela Justiça Eleitoral em março por escândalos na sua gestão. 


Sobre a operação de hoje, a PF informou o Supremo que Castro usou do poder como governador para favorecer Ricardo Magro e atuava como “braço político” ao sancionar uma lei que viabilizava o esquema de sonegação por parte da refinaria Refit.


O modo de operação de Magro e do Grupo Refit para sonegação de impostos levou o Governo Federal e o Congresso Nacional a aprovarem, em janeiro deste ano, a Lei do Devedor Contumaz. 


Na prática, o Governo endureceu regras e aumentou o poder de sanção contras empresas que usam a inadimplência tributária como estratégia de negócios.


Ricardo Magro entrou na agenda da conversa do Presidente brasileiro, Lula da Silva, com o homólogo norte-americano, Donald Trump, durante um encontro na Casa Branca na quarta-feira da semana passada, uma vez que o empresário mora em Miami.

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Em entrevista à imprensa logo após o encontro com Trump, Lula disse que esperava pela prisão de Ricardo Magro, que qualificou de um dos chefes do crime organizado no Brasil.


“Eu disse para o Trump: se você quiser combater o crime organizado de verdade, o Brasil está disposto a jogar todo o peso que a gente puder jogar para combater e você poderia começar me entregando os brasileiros que estão aí”, declarou Lula na ocasião.


“Tenho o endereço da casa e tenho o nome das pessoas brasileiras que têm praticado crime e que estão foragidas nos Estados Unidos. E eu estou aguardando sobretudo o dono da Refit, que é o principal deles”, concluiu.

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