Maior projeto industrial dos últimos 50 anos na Galiza é de origem portuguesa e está a gerar revolta da população

Palas de Rei, um pequeno concelho na Galiza com cerca de 3.500 habitantes, foi palco de uma manifestação massiva no último dia 26 de maio. Cerca de 20 mil pessoas ocuparam as ruas, entoando “Altri Non” em protesto contra a instalação de uma fábrica de celulose pela empresa portuguesa Altri.

Executive Digest
Junho 24, 2024
15:31

Palas de Rei, um pequeno concelho na Galiza com cerca de 3.500 habitantes, foi palco de uma manifestação massiva no último dia 26 de maio. Cerca de 20 mil pessoas ocuparam as ruas, entoando “Altri Non” em protesto contra a instalação de uma fábrica de celulose pela empresa portuguesa Altri.

O projeto, considerado estratégico pelo governo autonómico galego, enfrenta forte oposição devido aos potenciais impactos ambientais e econômicos negativos, conta o ‘Expresso’.

A instalação da fábrica, avaliada em 900 milhões de euros, foi aprovada há dois anos pelo parlamento galego. No entanto, os detalhes agora em análise suscitam preocupações significativas. Os opositores alertam para riscos à biodiversidade, poluição do ar e água do rio Ulla, e ameaças aos setores de leite, pesca e ao Caminho de Santiago.

Duas plataformas locais, Ulloa Viva e Plataforma de Defesa da Ria da Arousa, lideram a mobilização contra o projeto. Com o apoio de associações ecologistas, realizaram inúmeras reuniões de esclarecimento e recolheram 23 mil denúncias durante a consulta pública. A Greenpeace também se juntou à causa, organizando uma manifestação marítima com 300 embarcações na ria de Arousa.

Em resposta ao clima de contestação, a Altri cancelou duas das cinco sessões de esclarecimento previstas, revela a mesma fonte. Tanto a empresa quanto o governo galego garantem que o projeto não avançará sem todas as garantias ambientais e financeiras. O governo galego procura financiar 25% do projeto com fundos europeus de recuperação económica, mas a viabilidade financeira ainda está em aberto.

Apesar da forte oposição, a conselheira de Economia e Indústria da Galiza, Maria Jesús Lorenzana, defende o projeto como uma “jóia da coroa” da nova política industrial galega, destacando a criação de 500 empregos diretos e 2.500 indiretos, além da industrialização local do eucalipto.

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