O maior projeto de fusão nuclear do mundo iniciou, esta terça-feira, no sul de França, a sua fase de montagem, num processo que deverá estender-se pelos próximos cinco anos. A França prevê que o primeiro plasma seja gerado no final de 2025.
O projeto ‘Iter’, no qual foram investidos cerca de 20 mil milhões de euros, replicará as reações que alimentam o sol e pretende demonstrar que o poder de fusão pode ser gerado em escala comercial, noticia o ‘The Guardian’.
A fusão nuclear promete energia limpa e ilimitada, mas, apesar de 60 anos de pesquisa, ainda precisa superar os desafios técnicos de aproveitar quantidades tão extremas de energia.
O ‘Iter’ vai usar milhões de componentes para montar um reator gigante, que pesará 23 mil toneladas, tratando-se do empreendimento de engenharia mais complexo da história. Quase 3 mil toneladas de íman supercondutor, alguns exemplares mais pesados do que que um avião, serão ligados por 200 km de cabos supercondutores, mantidos a -269C pela maior fábrica criogénica do mundo.
Este lançamento contou com a presença do Presidente francês, Emmanuel Macron, acompanhado de personalidades de do setor vindas do Reino Unido, China, Índia, Japão, Coreia, Rússia e EUA.
Nesta ocasião, Shinzo Abe, o primeiro-ministro japonês, sublinhou acreditar que “a inovação disruptiva desempenhará um papel fundamental na abordagem de questões globais, incluindo mudanças climáticas e na realização de uma sociedade sustentável livre de carbono”.
“Permitir o uso exclusivo de energia limpa será um milagre para o nosso planeta”, disse Bernard Bigot, diretor geral da Iter. A fusão, juntamente com as energias renováveis, em seu entender, permitirá que os transportes, edifícios e indústrias funcionem com eletricidade. Contudo, “construir a máquina peça por peça será como montar um quebra-cabeças tridimensional numa intrincada linha do tempo e com a precisão de um relógio suíço”, reforçou Bigot.
O projeto Iter foi concebido em 1985, mas foi sofrendo alguns atrasos ao longo dos últimos anos. Mas agora está em condições de se tornar o primeiro a obter um plasma de “queima” ou de autoaquecimento que deverá gerar 10 vezes mais calor, muito mais do que qualquer tentativa anterior.
Utilizará uma quantidade significativa de energia elétrica quando estiver em funcionamento, para alimentar os ímans e os instrumentos científicos, mas pretende ser uma prova de conceito de fusão em larga escala, não um projeto para um futuro reator comercial.






