O “maior percurso pedestre circular do mundo” fica em Portugal e está muito perto de ser inaugurado o primeiro trilho: que lhe parece percorrer Portugal, através de 100 concelhos, que vai interligar o litoral e a linha de fronteira de norte e sul?
O projeto ‘Palmilhar Portugal’ prevê mais de 3 mil quilómetros de caminhada pelo país, naquele que será “o maior percurso pedestre circular do mundo”. Depois de concluído, deverá mesmo atravessar entre “90 e 100 concelhos”, de acordo com o mentor da iniciativa, Ricardo Bernardes, em declarações à agência Lusa.
“São mais de 3.000 quilómetros para descobrir as maravilhas do nosso país, com trilhos nacionais que dão uma volta de 360 graus, uma característica ímpar a nível mundial. Passo a passo, somos uma referência nacional e internacional no turismo de natureza, aventura, desporto, saúde e bem-estar”, refere o site do projeto, que está a ser desenvolvido em Alcobaça para criar um trilho com “uma característica ímpar a nível mundial”.
Embora não ultrapasse a extensão do ‘Great Trail’ do Canadá, com 24 mil quilómetros, o ‘Palmilhar Portugal’ será a maior caminhada circular do mundo, rivalizando com a peregrinação europeia da Via Francigena, de Cantuária a Roma.
“A nossa proposta não só é construir o Maior Percurso Pedestre Circular do Mundo. Queremos ir mais longe. Organizaremos constantemente, ao longo do percurso pedonal, uma série de atividades que dinamizarão os concelhos envolvidos. Comprometemo-nos a atenuar a sazonalidade turística e promovemos a coesão territorial, com impacto direto e extremamente positivo nas economias de cada região”, apontam os responsáveis.
O primeiro percurso, aliás, já está a ser criado. No concelho de Alenquer. E está perto a sua inauguração, marcada para o final do mês de julho. Tem, por isso, tempo para começar a treinar, porque, de acordo com Bernardes, dará “destaque às paisagens ligadas aos moinhos e aos vinhedos”.
Seguir-se-ão, nos próximos meses, “quatro percursos no Alentejo, três na região Centro e dois em Trás-os-Montes”. Até final do ano, diz Bernardes, deverá já haver “15 percursos em todo o país”. O mentor do projeto referiu que os traçados serão “sempre por terrenos públicos, exclusivamente pedestres e sem alcatrão”. Alguns dos trilhos serão até acessíveis a ciclistas e a pessoas com mobilidade reduzida.
“O desejo de que todos possam vivenciar esta experiência é real. Há um cuidado muito grande no sentido de proporcionar, sempre que possível, etapas inclusivas. Em alguns casos, selecionámos rotas alternativas, para segurança e bem-estar de todos”, aponta.
Em desenvolvimento há cerca de dois anos, o projeto, com um valor de 3,5 milhões de euros, foi apresentado publicamente na Bolsa de Turismo de Lisboa do ano passado e está de momento a ser apresentado “a diversos municípios que serão parceiros, colaborando na delimitação e marcação dos percursos nos seus concelhos”. “A ideia surgiu quando estava a percorrer um trilho e me perguntei: ‘e se este trilho desse a volta ao país inteiro e regressasse ao mesmo ponto sem interrupção?’”
Será ainda criada uma aplicação que fornecerá informações em tempo real, permitirá reservas de alojamento e refeições em locais próximos do trilho e oferecerá bilhetes para eventos locais. Além disso, está a ser desenvolvido um passaporte digital e físico, que os caminhantes podem carimbar ao longo do percurso.













