MAI alerta: “A radicalização está a aumentar em Portugal” e RASI vai divulgar nacionalidades

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, admite que o risco de radicalização está a crescer em Portugal e anuncia alterações ao Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que no próximo ano passará a incluir dados sobre as nacionalidades dos imigrantes que chegam ao país.

Revista de Imprensa

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, admite que o risco de radicalização está a crescer em Portugal e anuncia alterações ao Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que no próximo ano passará a incluir dados sobre as nacionalidades dos imigrantes que chegam ao país. A mudança surge num contexto de reforço do debate público sobre segurança, imigração e crimes de ódio.

Em declarações à Antena 1, no podcast “Política com Assinatura”, o governante esclareceu, contudo, que a inclusão desses dados poderá não abranger a totalidade da informação prevista, uma vez que o sistema ainda não está plenamente operacional. “Não serão os dados na sua totalidade porque o sistema ainda não está a funcionar, e já estamos em abril. A não ser que façamos um esforço enorme”, afirmou.

Apesar da alteração ao RASI, Luís Neves desvaloriza a nacionalidade como fator central na análise da criminalidade. “Mais importante do que saber se é imigrante ou não, é saber se as pessoas estão legalizadas e estando legalizadas se cometem crimes”, sustentou. O ministro referiu que existem “centenas de brasileiros e colombianos detidos sobretudo por tráfico internacional de estupefacientes”, sublinhando que muitos desses casos envolvem indivíduos que “não vivem aqui, não são daqui, não têm família, não querem cá estar. Foi a utilização do território para aqui cometerem crimes, como outros”. Ainda assim, reafirma a posição que já assumira enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária: não existe uma relação direta entre o aumento da imigração e o aumento da criminalidade.

O titular da pasta da Administração Interna alertou também para o crescimento da radicalização. “O risco de radicalização eu acho que está a aumentar. Eu tenho sido a pessoa que há mais anos e de uma forma veemente tenho dito que os crimes de ódio não podem ser a matriz humana em que somos criados. E essa matriz humana e de respeito tem de se manter”, declarou. A propósito do caso de um homem, militante do PS, que ficou em prisão preventiva após ter lançado um cocktail molotov contra manifestantes contra o aborto durante a Marcha pela Vida, em março, Luís Neves classificou o episódio como “um crime de ódio e preocupante” e afirmou: “classifiquei-o logo como um crime de terrorismo”.

No plano operacional, o ministro reconheceu constrangimentos tecnológicos no aeroporto de Lisboa, nomeadamente nos equipamentos de controlo de fronteiras, e anunciou reforços a partir de 29 de maio. “Vamos ter bastante mais boxes para os passageiros passarem”, garantiu, adiantando que o número de funcionários será aumentado e a sinalética reforçada. Ainda assim, recusou assegurar que as filas diminuam durante o verão: “Não posso dar essa garantia, quando estamos dependentes de vários fatores externos”.

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Luís Neves explicou ainda que, quando as filas se agravam, é desligado o sistema de recolha de dados biométricos, o que pode dar a sensação de ausência de controlo. “Parece que a pessoa passou sem qualquer controlo. Não é verdade. Não há é recolha de dados biométricos”, assegurou, acrescentando que esta prática não é exclusiva de Portugal e ocorre noutros aeroportos europeus. Para debater soluções, está prevista, no final do mês, uma reunião entre ministros de vários países europeus “para saber o que se pode fazer”.

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