Macron sob pressão reúne-se hoje com líderes políticos para resolver impasse no Governo francês

Nas eleições legislativas antecipadas, os partidos aliados do partido presidencial Renascimento perderam a maioria na Assembleia Nacional, com a vitória da coligação de esquerda Nova Frente Popular (NFP) ao eleger 193 deputados a 7 de julho, sem obter a maioria absoluta de 289 lugares necessária para governar

Francisco Laranjeira

Após a trégua olímpica, Emmanuel Macron voltou para a semana a concentrar-se na nomeação de um primeiro-ministro: para tal, vai reunir-se, esta sexta-feira, com todos os presidentes dos grupos parlamentares e dos grupos políticos no Senado, assim como os chefes dos partidos com assentos no Palácio de Bourbon, no Eliseu para conversações que devem resultar na nomeação de um primeiro-ministro e, consequentemente, de um novo Governo.

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Mesmo sem um vencedor com maioria absoluta na Assembleia Nacional, a coligação de esquerda, Nova Frente Popular (NFP), conseguiu o maior número de deputados e nomeou Lucie Castets, de 37 anos, como candidata a primeira-ministra. Esta é uma nomeação que cabe, no entanto, a Emmanuel Macron, que devido aos Jogos Olímpicos fez uma pausa de quase dois meses desde a eleição. No entanto, a NFP tem pressionado o presidente francês a tomar uma decisão sobre a formação do novo Governo, sem sucesso.

“Existe uma emergência social e democrática no país atualmente”, afirmou Lucie Castets numa entrevista ao canal de televisão BFMTV, acrescentando que para si “o que é absolutamente urgente é implementar as políticas que o povo francês espera” e “fortalecer os serviços públicos”.

No passado domingo, a força mais poderosa da NFP, o partido França Insubmissa (LFI na sigla em francês, da esquerda radical), acusou Macron, através de um anúncio publicado no jornal ‘Tribune du Dimanche’ e assinado por Jean-Luc Mélenchon, Mathilde Panot e Manuel Bompard, de um “golpe de Estado institucional” e ameaçou recorrer à Constituição francesa para o destituir.

Evidenciando a diferença de perspetivas dentro da própria coligação de esquerda, a candidata socialista Lucie Castets rejeitou esta segunda-feira um eventual processo de destituição do presidente, referindo que o seu objetivo é a coabitação.

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A nomeação do primeiro-ministro deve acontecer antes da data limite de 20 de setembro, altura em que um novo Executivo deve enviar à Comissão Europeia um plano financeiro devido ao procedimento aberto contra França devido ao défice excessivo e no dia 1 de outubro, o projeto de lei das Finanças, ou seja o Orçamento, deve ser apresentado na Assembleia Nacional.

Nas eleições legislativas antecipadas, os partidos aliados do partido presidencial Renascimento perderam a maioria na Assembleia Nacional, com a vitória da coligação de esquerda Nova Frente Popular (NFP) ao eleger 193 deputados a 7 de julho, sem obter a maioria absoluta de 289 lugares necessária para governar.

Em julho, Emmanuel Macron aceitou o pedido de demissão do primeiro-ministro, Gabriel Attal, que ficou até agora no cargo a gerir os assuntos correntes.

Em 13 agosto, o primeiro-ministro interino francês propôs à maioria dos grupos políticos da Assembleia Nacional “um pacto de ação para os franceses”, com vista a estabelecer “compromissos legislativos” no interesse comum, excluindo o partido de extrema-direita União Nacional (RN, sigla em francês) e a França Insubmissa (LFI).

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