Macron reúne “os principais países europeus” em Paris para discutirem segurança na Europa. Portugal fica de fora

Os chefes de governo de pelo menos oito países europeus, os Presidentes do Conselho e da Comissão Europeia e o Secretário-Geral da NATO estarão segunda-feira numa reunião promovida pelo Presidente francês sobre a Ucrânia e segurança na Europa.

Executive Digest com Lusa

O Presidente francês, Emmanuel Macron, vai reunir “os principais países europeus” em Paris, esta segunda-feira, para discutirem a “segurança europeia”, confirmou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot.

“O Presidente da República vai reunir amanhã [segunda-feira] os principais países europeus para debater a segurança europeia”, declarou Barrot à rádio France Inter.

A iniciativa do Presidente francês, Emmanuel Macron, que juntará, segundo o Eliseu, Alemanha, Reino Unido, Itália, Polónia, Espanha, Países Baixos e Dinamarca, é uma das posições tomadas nos últimos dias pelos europeus, face aos avanços dos Estados Unidos para conduzir negociações que ponham fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Os europeus devem fazer “mais e melhor” pela sua segurança coletiva, dada a “aceleração” sobre a Ucrânia e as posições tomadas pelos Estados Unidos, considerou a presidência francesa ao convocar a reunião.

“Consideramos que há, como resultado da aceleração da questão ucraniana, como consequência também do que dizem os líderes americanos, uma necessidade de os europeus fazerem mais, melhor e de forma coerente pela nossa segurança coletiva”, disse um conselheiro do Presidente Emmanuel Macron.

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A reunião “terá como objetivo facilitar a continuação das conversações em Bruxelas”, segundo Paris, e, embora iniciada num formato restrito “por razões práticas”, pretende que seja alargada, porque “todos estão preocupados, todos devem poder participar da conversa”.

Enquanto a França promoveu esta reunião, os países bálticos pedirem ações para fortalecer Kiev em quaisquer negociações futuras.

O Presidente finlandês, Alexander Stubb, apelou, no último dia da Conferência de Segurança de Munique, a uma “pressão máxima sobre a Rússia” através de sanções e congelamento de bens antes de quaisquer negociações.

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O chefe de Estado deste país vizinho da Rússia estabeleceu três fases: “pré-negociação”, cessar-fogo e negociações de paz de longo prazo.

“A primeira fase é a pré-negociação, e este é um momento em que precisamos rearmar a Ucrânia e colocar pressão máxima sobre a Rússia, o que significa sanções, o que significa ativos congelados, para que a Ucrânia comece essas negociações a partir de uma posição de força”, disse Stubb.

“Penso que, na Europa, temos de falar menos e fazer mais”, afirmou ainda disse o Presidente finlandês, que defendeu que a Europa deve assumir as suas responsabilidades e pensar em formas de trazer valor acrescentado para os EUA.

O Presidente da Letónia, Edgars Rinkēvičs, país que também faz fronteira com a Rússia, concordou que os países europeus devem mostrar a sua força.

“Se formos fortes, se tivermos algo para oferecer […] vamos ser interessantes para os Estados Unidos. Se continuarmos a ter estas conferências agradáveis, a falar e a lamentar, não seremos interessantes [nem] para os nossos próprios públicos muito em breve”, alertou.

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Portugal fora de reunião de Macron 

O Governo português estará ausente da reunião informal desta segunda-feira, adiantou fonte do executivo à Lusa, assegurando que o país está em “permanente contacto com os parceiros”.

Questionado pela Lusa sobre se o Governo português iria estar presente, a mesma fonte referiu que se trata de “uma reunião informal de um grupo de líderes” e “não substitui as instâncias de decisão da União Europeia”.

“O Governo está em permanente contacto com os parceiros europeus e transatlânticos sobre a Ucrânia e está disponível para contribuir para uma solução de paz justa, inclusiva e duradoura, que acautele garantias de segurança efetivas para a Ucrânia”, acrescentou ainda.

Segundo a mesma fonte, o executivo português acredita que a União Europeia “terá um papel importante a desempenhar em qualquer solução de paz”.

Nas redes sociais, Luís Montenegro reforçou estar em “permanente contacto” com os “parceiros europeus e transatlânticos”, e que Portugal está disponível para “contribuir para uma solução de paz justa, inclusiva e duradoura, que acautele garantias de segurança efetivas para a Ucrânia”.

Os esforços por uma posição da Europa, principal financiador militar e financeiro da Ucrânia, juntamente com os EUA, ocorre no momento em que o governo de Trump tenta rapidamente mediar o fim dos combates, três anos após a guerra lançada pela Rússia contra a Ucrânia.

A pressão do Presidente dos Estados Unidos por uma saída rápida para a guerra total da Rússia na Ucrânia gerou preocupação e incerteza em Munique.

Após um telefonema com o Presidente russo, Vladimir Putin, na semana passada, Trump disse que os dois provavelmente vão reunir-se em breve para negociar um acordo de paz.

Mais tarde, Trump garantiu ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, que também teria um lugar à mesa, mas as autoridades dos EUA deram o sinal de que as nações europeias não estariam envolvidas.

Na conferência de Munique, Zelensky pediu a criação de uma “força armada da Europa” para melhor enfrentar uma Rússia expansionista que também poderia ameaçar os 27 países da UE.

O Presidente ucraniano defendeu que a Europa deve ter uma voz ativa nas conversações para pôr fim ao conflito, afirmando que “a paz real é possível”, mesmo que haja diferentes tentativas de Putin para “enganar o mundo inteiro e prolongar a guerra”.

“Temos de a alcançar [a paz]: a Ucrânia, os Estados Unidos e a Europa. Esta é a nossa segurança comum”, realçou Volodymyr Zelensky.

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