O mercado de trabalho em Portugal tem muito espaço para melhorar, uma vez que se encontra abaixo da média da UE-15 no indicador de qualidade de emprego (ICE), que mede variáveis não monetárias como horas de trabalho, condições contratuais ou perspetivas de desenvolvimento profissional. Em relação à média europeia, Portugal só é superado nesse ranking pela Grécia e Espanha, de acordo com o relatório ‘Panorama Social’, editado por Funcas, revelado esta segunda-feira pelo jornal espanhol ‘El Economista’.
Existem quatro dimensões não monetárias que o indicador analisou para fazer a média: a qualidade intrínseca do trabalho, a qualidade do emprego, os riscos ocupacionais e as características relacionadas ao tempo de trabalho e a sua flexibilidade. A agregação de todos (por média geométrica) mostrou que a Grécia, 18% abaixo da média, é o país pior posicionado em contraste com a Finlândia, que está 9% acima da média. A Espanha segue-se, com quase 10% abaixo da média, seguido de Portugal, Itália e França.
No entanto, o grande ‘medo’ apontado pelo estudo é o da incerteza do futuro do emprego diante do avanço das tecnologias digitais e a sua extensão nas últimas décadas. Nesse sentido, os autores perguntam-se até que ponto esse medo se justifica ou se estamos a caminhar de mãos dadas com a automação e a inteligência artificial em direção a um cenário de obsolescência do trabalho humano.
“A penetração massiva das tecnologias digitais não reduz necessariamente o trabalho humano e, portanto, agrega o emprego”, apontou o estudo, que realçou para uma “mudança na sua composição, bem como nos conteúdos e condições dos empregos. Esta evidência aconselha focar mais atenção em questões relacionadas com a qualidade do emprego em vez de sua quantidade”.





