A eletricidade vai ficar mais cara a partir de janeiro de 2026, com a ERSE a propor um aumento de cerca de 1% nas tarifas reguladas. No entanto segundo o mais recente relatório do mercado de energia do ComparaJá, mostram que o verdadeiro impacto na fatura não vem apenas desse aumento: antes mesmo da subida entrar em vigor, há famílias que podem estar a pagar até mais 630 euros por ano apenas por não terem o fornecedor mais adequado ao seu perfil de consumo.
O relatório revela diferenças expressivas entre comercializadoras e confirma que comparar tarifas continua a ser uma das formas mais eficazes de proteger o orçamento familiar num contexto de subida de preços.
O aumento proposto pela ERSE afeta sobretudo os consumidores que permanecem no mercado regulado, onde os preços são atualizados anualmente. Para estes clientes, a fatura da luz deverá subir logo no início de 2026.
No entanto, os dados do mercado liberalizado mostram que o impacto real do aumento depende muito da escolha do fornecedor. Em vários perfis analisados, a diferença entre a tarifa mais barata e a mais cara ultrapassa largamente o valor do aumento previsto, tornando a decisão de manter o contrato atual um fator crítico no custo final da eletricidade.
Diferenças de centenas de euros para o mesmo consumo
Através de uma simulação de consumo de energia, para perfis de consumo comuns, as variações de preço são significativas:
● Um casal sem filhos, com consumos moderados, pode pagar menos de 35 euros por mês com o fornecedor mais barato, mas ultrapassar os 45 euros com a opção mais cara.
● Numa família com dois filhos, a fatura mensal pode oscilar entre cerca de 72 euros e mais de 95 euros.
● Em famílias numerosas, a diferença mensal pode superar os 50 euros, o que se traduz em mais de 600 euros por ano.
Estas diferenças surgem mesmo quando o consumo e a potência contratada são exatamente os mesmos, reforçando a ideia de que o preço da eletricidade depende hoje tanto do contrato como do comportamento do consumidor.
Para além dos preços base, o relatório destaca a importância de fatores adicionais que podem aumentar significativamente a poupança. Descontos associados a débito direto, fatura eletrónica ou à combinação de eletricidade e gás podem reduzir a fatura em mais de 20% em alguns casos.
No entanto, muitas destas campanhas não são imediatamente visíveis para o consumidor, o que dificulta a comparação direta entre ofertas e aumenta o risco de escolhas menos vantajosas.
Num mercado onde os preços mudam frequentemente e as diferenças entre fornecedores continuam elevadas, a eletricidade tornou-se uma despesa onde a decisão informada tem um impacto direto e mensurável no orçamento anual das famílias.
O aumento da luz em 2026 é real, mas pagar mais não é inevitável. Para muitos consumidores, a maior poupança começa muito antes da próxima atualização das tarifas, começa na escolha do fornecedor certo.














