Luxo sofre com o COVID-19: o que a crise de 2008 nos pode ensinar sobre o futuro

Será que depois da pandemia as lojas regressarão às facturacções habituais? Ou será que o medo comandará o comportamento do público-alvo deste sector?

Executive Digest

O mercado de artigos de luxo está avaliado em 800 mil milhões de euros na Europa, o que representa 4% do PIB do Velho Continente. No entanto, a pandemia que a sociedade enfrenta deverá afectar o valor deste sector, não só na Europa como em todo o Mundo.

Para já, não é possível fazer uma previsão sobre o impacto no negócio de gigantes como LVMH ou Hermès, mas os números da última crise poderão dar uma ideia. Segundo a associação italiana Altagamma e a consultora Bain & Company, o luxo movimentava 170 mil milhões de euros, a nível global, em 2007. Dois anos depois, em 2009, passou a movimentar apenas 153 mil milhões.

Em 2011, o sector apresentou sinais de recuperação, chegando mesmo a superar os valores de 2007. De acordo com a mesma análise, o luxo foi responsável por movimentar 191 mil milhões de euros, em todo o Mundo, nesse ano, dando início a uma trajectória ascendente.

Agora, será que depois da pandemia as lojas regressarão às facturacções habituais? Ou será que o medo comandará o comportamento do público-alvo deste sector? Recorde-se que a Ásia é o principal mercado para as marcas de luxo e que é um dos mais afectados pelo COVID-19, com o surto a ter origem em Wuhan, na China.

A chave para a recuperação (ou não) poderá estar precisamente aqui. Segundo o jornal espanhol CincoDías, o mercado asiático representava, no início dos anos 2000, apenas 4% das vendas de luxo. Hoje, ultrapassa os 30%. O mesmo estudo indica, por exemplo, que 36% das vendas da Hermès correspondem à Ásia. No caso da LVMH, a fatia do bolo total é de 30%; na Richemont é de 38%.

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A Capri Holdings, por seu turno, estima já uma perda de 90 milhões de euros só na China devido ao novo coronavírus. A dona de marcas como Versace, Jimmy Choo ou Michael Kors é uma das primeiras a avançar valores relacionados com a crise sanitária.

«As pessoas que continuam a ter muito poder de compra nao têm por que razão gastar menos. Neste casos, não é uma questão de dinheiro, mas sim de perspectivas», explica Joan Rivera, especialista de consumo da Kantar. De acordo com a responsável, se todas as notícias e previsões apontam para um ano mau, é natural que queiram travar as compras. O medo poderá ser mais forte do que os zeros nas conta bancária.

Isto significa que os consumidores de luxo pensarão duas vezes antes de fazer um investimento, mesmo depois da crise passar. As compras implicarão um processo de reflexão maior.

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