Luís Neves mantém silêncio e resiste à pressão: Montenegro continua a defender ministro da Administração Interna

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, continua sem responder publicamente às mais recentes notícias relacionadas com a sua ligação ao empresário da construção civil João Santos Carvalho e às alegadas irregularidades em obras realizadas numa propriedade sua, no concelho de Odemira.

Revista de Imprensa

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, continua sem responder publicamente às mais recentes notícias relacionadas com a sua ligação ao empresário da construção civil João Santos Carvalho e às alegadas irregularidades em obras realizadas numa propriedade sua, no concelho de Odemira. Apesar da crescente pressão política e mediática, o governante mantém a confiança do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que já garantiu publicamente confiar “plenamente” no ministro e não dá sinais de estar disposto a afastá-lo do Executivo, mesmo perante as sucessivas exigências da oposição para a sua demissão.

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Segundo avança esta terça-feira o Diário de Notícias (DN), Luís Neves aposta no silêncio como estratégia para enfrentar a polémica, contando que o apoio de Luís Montenegro seja suficiente para resistir às críticas. O ministro nega ter favorecido João Santos Carvalho, que assume ser seu amigo, na adjudicação de contratos públicos quando liderava a Polícia Judiciária, e rejeita igualmente qualquer irregularidade relacionada com as obras na sua propriedade. Paralelamente, enfrenta ainda um inquérito interno instaurado pela atual direção nacional da Polícia Judiciária para esclarecer as circunstâncias em que um atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga acabou nas instalações da empresa Construbarcelos, pertencente ao empresário.

A pressão política tem sido liderada por André Ventura, que voltou a exigir a saída de Luís Neves do Governo. Depois de ter enviado uma carta ao primeiro-ministro a defender que o ministro não reúne condições para permanecer em funções, o líder do Chega reiterou as críticas numa conferência de imprensa, acusando o governante de estar envolvido em “suspeitas de atividades ilícitas e criminais, eticamente reprováveis e criminalmente relevantes, e de flagrante abuso de autoridade”. Ventura apelou igualmente ao Presidente da República, António José Seguro, para que intervenha junto do Governo, sustentando que Luís Neves deveria seguir o exemplo de Miguel Macedo, antigo ministro da Administração Interna que se demitiu durante o caso dos vistos gold, apesar de mais tarde ter sido ilibado pela Justiça. Ainda assim, o DN considera improvável que o chefe de Estado pressione Luís Montenegro a afastar qualquer membro do Executivo, recordando que o primeiro-ministro tem demonstrado uma postura consistente de apoio aos seus ministros quando enfrentam situações politicamente delicadas.

Embora mantenha o respaldo do líder do Governo, Luís Neves começa também a enfrentar críticas dentro do próprio PSD. O conselheiro nacional social-democrata Vitório Rosário Cardoso apelou, através das redes sociais, a um maior escrutínio sobre pessoas próximas do ministro, defendendo que o partido deve impedir qualquer tentativa de captura do Estado por interesses particulares. O dirigente, associado ao setor mais conservador do PSD, criticou ainda a nomeação de pessoas consideradas próximas de Luís Neves para cargos na Administração Interna e voltou a recordar posições anteriores em que desafiava o atual ministro a filiar-se no PSD, afirmando que tal nunca aconteceria devido à sua alegada “verticalidade socialista”. Estas declarações contrastam com a solidariedade que vários dirigentes sociais-democratas têm demonstrado relativamente a outros ministros, como Fernando Alexandre, na sequência da polémica dos exames nacionais.

A controvérsia em torno de Luís Neves intensificou-se ao longo das últimas semanas. A 10 de julho, o semanário Nascer do Sol revelou a relação pessoal e profissional entre o ministro e João Santos Carvalho, referindo que a Polícia Judiciária adjudicou contratos no valor de cerca de 1,9 milhões de euros à Construbarcelos durante o período em que Luís Neves dirigia aquela força policial. Dois dias depois, em entrevista à TVI, o ministro garantiu que as obras na sua propriedade se limitavam a intervenções de pequena dimensão, estimando um custo entre 20 e 30 mil euros e assegurando que os trabalhos foram devidamente pagos. No entanto, novas reportagens colocaram em causa esses valores e revelaram que a piscina existente no imóvel não teria o respetivo licenciamento municipal. A situação agravou-se novamente a 17 de julho, quando o Nascer do Sol noticiou que um atrelado apreendido pela Polícia Judiciária numa operação antidroga foi encontrado nas instalações da empresa de João Santos Carvalho, facto que motivou a abertura de um inquérito interno e aumentou a pressão política sobre o ministro, que continua, para já, a contar com o apoio inequívoco de Luís Montenegro.

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