Os CTT – Correios de Portugal lucraram, nos primeiros nove meses do ano, 22,9 milhões de euros, um aumento de 99,7% face ao período homólogo impulsionado pela melhoria operacional da empresa e o contributo da 321 Crédito.
«O resultado líquido dos CTT até Setembro foi ainda impulsionado pelo efeito extraordinário do reembolso do IRC da dedução da menos-valia fiscal apurada aquando da venda da Tourline pela CTT Expresso no exercício de 2016 e o menor impacto dos itens específicos, que mais que compensaram o aumento das imparidades e provisões», refere o operador em comunicado enviado às redacções.
Durante o mesmo período, os rendimentos operacionais chegaram aos 539,6 milhões de euros, mais 2,8% do que em 2018. Estes resultados são justificados pela performance do Banco CTT (+73,1%), os Serviços Financeiros (+30,3%) e a área de Expresso & Encomendas (+1,3%). Na área de Correio registou-se uma redução de 2,8% até ao final de Setembro
O EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) registou uma aceleração de 12,7%, para 73,3 milhões de euros, cuja evolução se deveu ao «crescimento orgânico e inorgânico do Banco CTT e dos Serviços Financeiros, que compensaram o decréscimo verificado no Correio e Outros e no Expresso & Encomendas», indica.
Para João Bento, CEO dos CTT, os resultados «mostram que as apostas estratégicas da empresa estão a dar frutos, levando ao crescimento dos principais indicadores económico-financeiros». «O Banco CTT mantém a sua trajectória de crescimento, impulsionado pela 321 Crédito e o Expresso & Encomendas registou também um forte impulso em Portugal. O Plano de Modernização e Investimento segue o seu curso, permitindo dotar os CTT dos recursos necessários para a modernização da rede postal e logística e implementação de novas máquinas, reforçando a qualidade do serviço e melhorando as condições de trabalho», sublinha.
Quanto ao futuro, deixa garantias aos clientes, apesar da já conhecida quebra do negócio tradicional dos correios. «Os CTT vão continuar a manter a proximidade às populações, uma das nossas maiores vantagens competitivas, através da capilaridade da rede de retalho e também da rede de distribuição, continuando a promover a eficiência e a inovação».
Apesar do tráfego de correio endereçado ter caído 9,5% nos primeiros nove meses do ano, representa uma melhoria face à redução de 10,3% até Junho. A evolução positiva deveu-se «à queda menos acentuada verificada no terceiro trimestre de 2019 de 7,6%».
No Expresso & Encomendas, o tráfego em Portugal cresceu 13,9% até Março deste ano, face ao período homólogo, para 5,6 milhões de objectos, devido «à angariação de novos clientes empresariais, crescimento no segmento empresarial e particular, boa performance do e-commerce e crescimento do negócio internacional».
Os CTT destacam que, no terceiro trimestre deste ano, tomou posse uma nova equipa de gestão na Tourline em Espanha, com «profundos conhecimentos do mercado e do sector e com experiência em processos de turnaround», foi delineado um plano estratégico «focado no crescimento orgânico junto das empresas que actuam no segmento B2C e visando atingir o breakeven operacional (EBITDA) durante o ano de 2021». A implementação deste plano implica um investimento de 12 milhões de euros.
Banco CTT
No Banco CTT o crescimento dos gastos operacionais foi positivamente impactado pelo aumento da margem financeira (+65,4%), registando no terceiro trimestre um aumento de 83,2%. As comissões recebidas cresceram 87,2%, com origem na Cetelem, nos produtos Planos Poupança Reforma e na transacionalidade.
O operador realça a performance operacional do Banco CTT, que «permitiu um crescimento significativo de contas abertas para 438 mil contas (+121 mil do que nos primeiros nove meses de 2018), a par com a continuação do crescimento dos depósitos de clientes para 1 160,4 milhões de euros (+47,0%) e o crescimento da carteira de crédito habitação líquida de imparidades para 358,6 milhões de euros (+94,8%)».
Além disso, com a aquisição da 321 Crédito, o Banco CTT conseguiu impulsionar estruturalmente o rácio de transformação da sua carteira de crédito de 25,6% nos primeiros nove meses do ano passado para 69,3% até Setembro de 2019, através da incorporação de um valor de 443,9 milhões de euros na sua carteira de crédito, principalmente automóvel e o crescimento sustentado do crédito hipotecário.
«O sucesso na execução do Plano de Transformação Operacional nos primeiros nove meses de 2019 permitem à Empresa actualizar os objectivos de poupança anteriormente anunciados», lê-se ainda. Assim, para este ano estima-se que as poupanças nos gastos operacionais alcancem 16 milhões de euros, face aos 15 milhões de euros inicialmente previstos, e que para 2020 obtenham 18 milhões de euros face aos 15 milhões de euros anteriormente anunciados.






