O Novo Banco teve lucros de 560,8 milhões de euros em 2022, o triplo dos resultados positivos registados em 2021, divulgou hoje em comunicado ao mercado.
Em 2021, o Novo Banco tinha tido pela primeira vez lucros anuais, de 184,5 milhões de euros.
Quanto a 2022, a margem financeira cresceu 9,1% para 625,5 milhões de euros e as comissões subiram 3,8% para 293,3 milhões de euros.
Ainda do lado das receitas, destaque para os “outros resultados de exploração” de 183,6 milhões de euros, conseguidos com a venda de uma carteira de imóveis, a venda do edifício-sede (71,5 milhões de euros de ganho, sendo 67 milhões líquido de contingência) e a recuperação de crédito vencido.
Já os custos operativos subiram 9,8% para 448,4 milhões de euros, que o banco justifica sobretudo com custos excecionais (desvalorização de ativos intangíveis, custos relativos a mudança de sede e consultoria) e que sem isso subiriam 2%.
Os custos com pessoal foram de 233,7 milhões de euros (estáveis face a 2021), tendo o banco, no final de 2022, 4.090 trabalhadores (menos 103 do que em 2021).
Para imparidades e provisões, foram colocados de parte 111 milhões de euros (menos 241 milhões de euros do que em 2021).
Nesta rubrica inclui-se a provisão de 57 milhões de euros feita no último trimestre para custos relativos à tributação de imóveis (em 2021, a mesma provisão foi de 116 milhões de euros).
Em causa está a lei do Orçamento do Estado de 2021 que agravou os impostos sobre imóveis de empresas que tenham na sua estrutura acionista entidades sediadas nos chamados paraísos fiscais ou ‘offshore’, tendo o auditor do Novo Banco considerado que o banco é abrangido pela lei.
O Novo Banco já pediu, no ano passado, esclarecimentos à Autoridade Tributária para saber o que tem de pagar, mas para já não se conhece a resposta.
Quanto ao balanço do banco, o crédito (bruto) subiu 2,9% para 25.617 milhões de euros, tendo o crédito a empresas aumentado 3,9% para 14.244 milhões de euros e o crédito à habitação subido 2% para 9.978 milhões de euros. O rácio de crédito malparado (NPL) reduziu-se de 5,7% em dezembro de 2021 para 4,3% em dezembro último.
Já os depósitos subiram 4% para 28.412 milhões de euros.
Quanto a indicadores de solvabilidade, em final de 2022, o rácio CET 1 era de 13,7% (acima dos 11,1% de dezembro de 2021).
O Novo Banco foi criado em agosto de 2014, aquando da resolução do Banco Espírito Santo (BES), detido pelo Fundo de Resolução bancário e com uma capitalização inicial de 4.900 milhões de euros.
Em 2017, 75% foi vendido ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, que não pagou qualquer preço, tendo injetado 1.000 milhões de euros.
Nessa venda foi acordado um mecanismo pelo qual o Fundo de Resolução recapitaliza o Novo Banco até 2026, com um limite de 3.890 milhões de euros, por perdas em ativos que afetem rácios de capital.
A cada ano, as chamadas de capital do FdR ao Novo Banco provocaram polémica, sobretudo porque muito do dinheiro injetado veio do Orçamento do Estado.
Referente a 2017, o Fundo de Resolução injetou 792 milhões de euros. Em 2018, foram 1.149 milhões de euros e, em 2019, o 1.035 milhões de euros (menos dois milhões do que pedido pelo NB). Referente a 2020, foram transferidos 429 milhões de euros (apesar de o Novo Banco ter pedido 598 milhões).
Assim, ao abrigo deste acordo, o Novo Banco já recebeu 3.405 milhões de euros de dinheiro público.
Contudo, ainda seguem disputas entre o Novo Banco e o Fundo de Resolução (desde logo em tribunal arbitral) que poderão levar a que seja colocado mais dinheiro.
O Novo Banco reclama 165 milhões de euros não transferidos em 2020 (incluindo a provisão para o fim da operação em Espanha e avaliação de unidades de participação nos fundos de reestruturação). Reclama ainda a injeção de capital de 209 milhões de euros pedida em 2021, que então o Fundo de Resolução considerou que não era devida. Por fim, há a disputa quanto à aplicação do regime transitório da IFRS9.
No comunicado hoje ao mercado, o banco não indica novos pedidos de injeção de capital ao Fundo de Resolução bancário.
De momento, o Novo Banco é detido em 75% pelo Lone Star, sendo o restante capital detido pelo Fundo de Resolução bancário e diretamente pelo Estado português.
Desde o verão passado, o presidente executivo do Novo Banco é o irlandês Mark Bourke (anteriormente administrador financeiro), que sucedeu a António Ramalho. O banco não vai fazer conferência de imprensa de apresentação destes resultados.














