Lucros das empresas continuam a sustentar ações, mas risco geopolítico preocupa investidores, alerta especialista

O crescimento dos lucros das empresas e os sinais de recuperação da economia europeia continuam a sustentar uma perspetiva positiva para os mercados acionistas, embora o agravamento das tensões no Médio Oriente esteja a levar os investidores a adotar uma postura mais cautelosa.

André Manuel Mendes

O crescimento dos lucros das empresas e os sinais de recuperação da economia europeia continuam a sustentar uma perspetiva positiva para os mercados acionistas, embora o agravamento das tensões no Médio Oriente esteja a levar os investidores a adotar uma postura mais cautelosa.

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A análise é de Michele Morganti, Senior Equity Strategist da Generali Investments, que mantém uma recomendação de sobreponderação das ações, ainda que de forma menos agressiva do que anteriormente.

Segundo o especialista, o atual momento continua a ser apoiado pela evolução favorável dos resultados das empresas, sustentados por fundamentos sólidos, margens resilientes, custos laborais controlados e ganhos de produtividade associados à inteligência artificial. Neste contexto, a época de apresentação de resultados do segundo trimestre deverá voltar a revelar-se robusta.

Nos Estados Unidos, a Generali Investments estima um crescimento dos lucros por ação (EPS) na ordem dos 20% elevados face ao mesmo período do ano anterior, impulsionado sobretudo pelo setor tecnológico. Excluindo este segmento, o restante mercado deverá contribuir com cerca de nove pontos percentuais para o crescimento. Embora as primeiras orientações divulgadas pelas empresas tenham sido mais positivas do que o habitual, a gestora considera que as surpresas positivas poderão ser limitadas, uma vez que as expectativas do mercado já são bastante elevadas.

Na Europa, o cenário também é favorável. A previsão aponta para um crescimento dos lucros por ação entre 12% e 14% no segundo trimestre, refletindo uma melhoria das revisões das estimativas e abrindo espaço para resultados ligeiramente acima do esperado.

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Um dos aspetos destacados por Michele Morganti é o alargamento desta melhoria a um conjunto mais vasto de setores. Depois de energia e tecnologia, também a indústria, os materiais e a banca começam a beneficiar de revisões em alta, um sinal de que o ciclo de lucros europeu está a ganhar consistência.

Para a segunda metade do ano, a Generali Investments antecipa que a recuperação gradual da economia europeia e a agenda pró-crescimento da Alemanha — assente em estímulos orçamentais, investimento em infraestruturas e reformas estruturais — poderão reforçar a confiança das empresas e aumentar o potencial de crescimento da região no longo prazo.

Ainda assim, a gestora alerta que a recente escalada das tensões entre Israel e o Irão poderá continuar a penalizar o apetite pelo risco nos mercados no curto prazo, mantendo os investidores atentos à evolução do contexto geopolítico.

 

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