Combinar um personagem do universo ‘Marvel’ com um dinossauro de há 78 milhões de anos?
Conheça o ‘Lokiceratops rangiformis’, um dinossauro recém-descoberto com uma característica muito particular – uma variedade única de chifres na testa, os maiores alguma vez vistos. O nome da espécie foi anunciado em junho último na revista científica ‘PeerJ’.
O dinossauro foi encontrado, identificado e nomeado por Joseph Sertich, do corpo docente da Colorado State University, e Mark Loewen , da Universidade de Utah, dos Estados Unidos. Ambos os autores nomearam a nova espécie com base nos seus chifres incomuns em forma de lâmina na parte de trás do rufo – o escudo ósseo na parte de trás do crânio – e outros assimétricos que lembram os vistos nas renas atualmente: têm também semelhanças aos do capacete de Loki, o carismático vilão dos filmes da Marvel, que se inspira num deus de mitologia nórdica com o mesmo nome.
Os restos fósseis foram encontrados em 2019 numa propriedade privada próxima à fronteira com o Canadá, no estado de Montana (EUA). A reconstrução, e sobretudo assim que conseguiram montar o crânio, permitiu perceber que se tratava de uma nova espécie. Este trabalho de reconstrução e identificação é descrito pelos autores como o maior desafio. “A descrição do crânio, uma das mais detalhadas já escritas, e as comparações com outros dinossauros com chifres em todo o continente, levou mais um ano”, explicou o paleontólogo Joseph Sertich.
Acredita-se que Loki tenha vivido há 78 milhões de anos e tinha aproximadamente 6,7 metros de comprimento, pesando cerca de cinco toneladas. Durante a sua existência – cerca de 12 milhões de anos antes do seu parente mais famoso, o Triceratops – a sua casa era uma ilha continental chamada Laramidia, agora localizada onde hoje é a América do Norte, onde foram encontrados exemplares da família ceratopsidae . “Acreditamos que os chifres destes dinossauros sejam semelhantes ao que as aves fazem com as penas. Usam-nos para seleção de parceiros ou reconhecimento de espécies”, realçou Sertich.
“Os ornamentos cranianos são uma das chaves para desvendar a sua diversidade e demonstram que a seleção evolutiva para exibições vistosas contribuiu para a riqueza dos ecossistemas do Cretáceo”, destaca o especialista.
Os restos mortais de Loki estão agora em exibição no Museu da Evolução, no sul da Dinamarca. “Este espaço valoriza a ciência e a pesquisa no mesmo nível das exposições. É extremamente importante que descobertas como esta cheguem a museus que se preocupam com o acesso público às coleções e aos fósseis para estudo”, concluiu Sertich.
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