Livro de ex-conselho de Segurança dos EUA revela que Trump congelou ajuda à Ucrânia até que Biden fosse investigado

Passagens do livro do antigo conselheiro de segurança nacional John Bolton revelam como Donald Trump lhe terá dito que iria congelar a ajuda financeira à Ucrânia até que o Governo liderado por Volodymyr Zelenskyi concordasse em investigar Joe Biden e o seu filho Hunter.

Executive Digest

Passagens do livro do antigo conselheiro de segurança nacional John Bolton revelam como Donald Trump lhe terá dito que iria congelar a ajuda financeira à Ucrânia até que o Governo liderado por Volodymyr Zelenskyi concordasse em investigar Joe Biden e o seu filho Hunter. A notícia está a ser avançada pelo “The New York Times” e pode vir a significar uma reviravolta no julgamento no Senado norte-americano do Presidente dos Estados Unidos, numa altura em que se aproxima a votação final.

No rascunho, a que o jornal teve acesso, Bolton dá conta de que as pressões a Zelenskyi duraram meses, desmentindo as alegações de Trump de que o congelamento de 391 milhões de dólares em ajuda militar à Ucrânia e os esforços para convencer o seu homólogo ucraniano a anunciar uma investigação a Biden não estariam relacionados. Trump terá dito que se recusava a enviar o dinheiro «enquanto os ucranianos não entregassem todo o material que tinham sobre a investigação da Rússia relacionada com os Biden e com os apoiantes de Hillary Clinton na Ucrânia», escreveu Bolton.

Estes relatos implicam não só o líder norte-americano, como ainda alguns elementos da Administração Trump e o seu advogado pessoal, Rudy Giuliani.

As afirmações de Bolton, que deixou o cargo o cargo em Setembro de 2019, reforçam a intenção dos democratas de chamar novas testemunhas a depor no julgamento de impeachment de Trump no Senado norte-americano, como o ex-conselheiro de Segurança. Este domingo, o  líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, escreveu no Twitter que «John Bolton tem as provas» e que «cabe a quatro senadores republicanos garantir que John Bolton, Mick Mulvaney e os outros com conhecimento direto das ações do Presidente Trump testemunhem no julgamento do Senado».

Bolton mostrou-se disponível para testemunhar no final do ano passado. «Se o Senado emitir uma intimação para o meu testemunho, estou preparado para o fazer», disse, na altura, em comunicado.

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Também no Twitter, Donald Trump reagiu. «NUNCA disse ao John Bolton que a ajuda à Ucrânia estava relacionada com a abertura de investigações contra o partido Democrata, incluindo os Biden. Na verdade, ele nunca se queixou disso aquando da sua saída [da Casa Branca]. Se o John Bolton disse mesmo isso, foi só para vender um livro», escreveu.

Já Adam Schiff, líder da Comissão de Serviços Secretos da Câmara dos Representantes e um dos elementos da equipa de acusação no julgamento do Presidente dos Estados Unidos, disse: «O Presidente bloqueou o nosso pedido para que Bolton testemunhasse. Agora sabemos o porquê: Bolton contradiz directamente a base da defesa do Presidente». «Para que o julgamento seja justo, os senadores têm de insistir para que Bolton seja chamado como testemunha, e para que nos envie as suas notas e outros documentos», acrescentou.

Esta segunda e terça-feira, a defesa de Donald Trump será chamada ao Senado para fazer as suas alegações, na segunda semana do julgamento de impeachment.

Entretanto, o rascunho do livro de John Bolton, intitulado “The Room Where It Happened” (“A Sala onde Aconteceu”, em português), já foi enviado para a Casa Branca e pode vir a ser impedido de circular.

A polémica 

Trump é acusado de pressionar o Presidente ucraniano, Volodimir Zelenskii, a quem terá pedido ajuda para prejudicar Joe Biden, vice-presidente na Administração de Obama e um dos favoritos à nomeação democrata para as presidenciais de 2020. A segunda acusação diz respeito à forma como Donald Trump reagiu à abertura do processo de impeachment, a 24 de Setembro, tendo decreta uma total proibição de colaboração da Casa Branca com a Câmara dos Representantes.

Contudo, é pouco provável que Trump seja destituído, pois são necessários votos favoráveis de dois terços dos senadores que, até ao momento, têm mantido apoio ao Presidente norte-americano.

*Notícia actualizada com mais informação às 10:50

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