Lituânia acusa inteligência militar russa de estar por trás de ataque a loja da Ikea em Vilnius

As autoridades da Lituânia afirmaram esta segunda-feira que possuem “fundados indícios” de que os serviços de inteligência militar russos estiveram por trás do ataque incendiário à loja da Ikea em Vilnius, ocorrido em 2024.

Pedro Gonçalves
Março 17, 2025
13:10

As autoridades da Lituânia afirmaram esta segunda-feira que possuem “fundados indícios” de que os serviços de inteligência militar russos estiveram por trás do ataque incendiário à loja da Ikea em Vilnius, ocorrido em 2024. De acordo com o procurador-geral do país báltico, o principal suspeito terá atuado sob instruções de agentes russos, recebendo financiamento para levar a cabo ataques na Lituânia e na Letónia.

O ataque ocorreu na noite de 9 de maio do ano passado, quando o suspeito terá colocado um engenho de combustão retardada na loja da Ikea, acionando-o durante a madrugada. Após filmar o incêndio e enviar as imagens, o indivíduo tentou apagar quaisquer vestígios que pudessem identificá-lo antes de fugir para Varsóvia, onde, segundo as autoridades, recebeu um automóvel BMW como recompensa pelo ato.

O suspeito, um estrangeiro que era menor de idade à data do ataque, terá visitado várias vezes a Polónia e a Lituânia para recolher informações e preparar a ação criminosa. Foi detido quando se deslocava para Riga, na Letónia, onde planeava realizar um ataque semelhante.

As conclusões preliminares da investigação indicam que o indivíduo operava sob a orientação de “estruturas militares e serviços de segurança da Federação Russa” e integrava uma organização terrorista preexistente, de acordo com as autoridades lituanas.

As autoridades acreditam que o suspeito pretendia provocar medo e divisões nas sociedades da Lituânia e da Letónia, além de exercer pressão sobre os governos bálticos para que reconsiderassem o seu apoio à Ucrânia. O caso está a ser tratado como um ato de terrorismo, e o suspeito enfrentará acusações formais.

O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, já havia mencionado o ataque em Vilnius no ano passado, ao abordar uma operação da Polónia que levou à detenção de nove indivíduos suspeitos de integrar uma rede de espionagem russa. Em declarações à cadeia TVN24, Tusk afirmou que os suspeitos “estiveram diretamente envolvidos, em nome dos serviços de inteligência russos, em atos de sabotagem na Polónia”, acrescentando que os detidos eram cidadãos ucranianos, bielorrussos e polacos.

Além do incêndio na Ikea de Vilnius, Tusk referiu ainda uma tentativa de atear fogo a uma fábrica de tintas na cidade polaca de Wrocław. O caso aumenta as preocupações sobre uma possível escalada de ataques coordenados por Moscovo nos países bálticos e na Europa de Leste.

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