Mais de mil ações de protesto contra a liderança do presidente republicano Donald Trump e a interferência do bilionário Elon Musk na administração americana estão convocadas para este sábado, nos Estados Unidos e um pouco por todo o mundo.
Os protestos estão a ser convocados pelo MoveOn, um grupo progressista de defesa de políticas públicas, em conjunto com outras organizações, e a expectativa dos promotores é que as ações reúnam milhares de pessoas em todo o país, mas também em várias cidades do mundo, incluindo na Europa, nomeadamente em Portugal.
“Donald Trump e Elon Musk acham que este país lhes pertence. No dia 5 de abril, dizemos: Tirem as vossas mãos daqui! Trump, Musk e os seus comparsas bilionários estão a orquestrar um ataque total ao nosso Governo, à nossa economia e aos nossos direitos básicos”, indicou o grupo na convocação da manifestação.
“Estamos a sair à rua por todo o país num protesto não violento. (…) Junte-se a centenas de milhares de pessoas em todo o lado, apoiadas por mais de 100 organizações, enquanto trabalhamos em conjunto para travar esta descarada tomada de poder”, apelou o grupo MoveOn, no seu ‘site’.
Há protestos convocados em todos os estados americanos, incluindo na capital federal, Washington DC, assim como em várias cidades internacionais, como Lisboa, Londres, Toronto, Toulouse, Lyon, entre outras.
Na capital norte-americana, os organizadores esperam que cerca de 12.500 manifestantes compareçam no protesto, segundo números avançados pela imprensa local, que especificou que o evento contará com a presença de vários congressistas democratas e decorrerá junto ao National Mall, um grande relvado que acolhe monumentos emblemáticos, como o Lincoln Memorial e o Monumento de Washington.
“Este dia de mobilização em massa é a nossa mensagem ao mundo de que não consentimos a destruição do nosso Governo e da nossa economia em benefício de Trump e dos seus aliados bilionários. Por todo o país, estamos a marchar, a reunir-nos e a protestar para exigir o fim do caos e construir um movimento de oposição contra a pilhagem do nosso país”, reforçou ainda a organização.
Ativistas norte-americanos que vivem em Portugal estão também a organizar ações de protesto contra a administração liderada pelo republicano Donald Trump, confirmou à Lusa um elemento ligado à iniciativa.
Para já, está prevista uma manifestação na Praça do Comércio, em Lisboa, e uma marcha em Lagos, no Algarve, mas os ativistas estão a tentar promover ações de protesto no Porto e em Faro, para além de outras cidades portuguesas, com o objetivo comum de lutar contra os planos políticos de Trump.
Muitos dos ativistas envolvidos nestas ações de protesto têm ligações à organização internacional Democrats Abroad (Democratas no Estrangeiro), que está ligada ao Partido Democrata dos Estados Unidos e que tem como propósito mobilizar eleitores norte-americanos residentes no estrangeiro.
“Sou uma ativista há mais de 50 anos, mas nunca me senti tão assustada. Se me vou opor ao que está a acontecer e fazer o que acho correto, tenho de ser capaz de defender as minhas causas publicamente”, disse à agência Lusa Terri Blakley, uma ativista oriunda da Califórnia que agora vive na Ericeira e que no sábado quer estar na manifestação em Lisboa.
“Pessoalmente acredito que este espetáculo de golpe miserável pode afetar todo o mundo. Por isso, esperamos envolver aqui em Portugal também pessoas que não sejam norte-americanas”, prosseguiu Blakley.
E acrescentou: “Os portugueses percebem o que é uma ditadura. (…) E o fascismo parece ser uma epidemia global, recentemente. Por isso, acredito que o que estamos a fazer com estes protestos seja apenas a ponta do icebergue. E espero que nos salve de Trump e que incite as pessoas a reagir a figuras como [o Presidente russo, Vladimir] Putin”.
O republicano Donald Trump tomou posse no passado dia 20 de janeiro e, nessa ocasião, colocou o empresário Elon Musk a liderar o polémico Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), sendo responsável, entre outras medidas, pelo despedimento de dezenas de milhares de funcionários públicos federais e pelo desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).














