Cracóvia lidera o ranking das melhores cidades europeias para nómadas digitais em 2026, mas é o posicionamento de cidades como Lisboa que ajuda a perceber como Portugal continua a ganhar relevância num mercado cada vez mais competitivo de trabalho remoto, segundo um relatório recente da ‘PlayersTime‘.
Lisboa destaca-se pelo estilo de vida, mas enfrenta pressão nos custos
Num contexto em que mais de 50 países já oferecem vistos para nómadas digitais, Portugal tem-se afirmado como um dos destinos mais procurados na Europa, sobretudo graças ao clima, cultura e qualidade de vida. Lisboa surge no radar destes profissionais não tanto pela acessibilidade económica, mas pelo estilo de vida que oferece, combinando trabalho remoto com uma forte componente social e ao ar livre.
No entanto, a análise da ‘PlayersTime’ mostra que o país enfrenta um desafio crescente: o aumento dos custos. Ao contrário das cidades da Europa de Leste, Lisboa integra o grupo de destinos onde viver e trabalhar remotamente pode tornar-se significativamente mais caro, o que pode limitar a atratividade para estadias mais prolongadas.
Europa de Leste ganha terreno face ao Sul e Oeste
O estudo, que avaliou 35 cidades europeias com base em critérios como alojamento, alimentação, Internet, transportes e segurança, coloca Cracóvia no topo, com 161 pontos em 175 possíveis. A cidade polaca destaca-se pelos baixos custos — cerca de 1.423 euros mensais — e pela Internet rápida e acessível.
Mais adiante no relatório da’ PlayersTime’, torna-se evidente uma tendência: as cidades da Europa Central e de Leste dominam os primeiros lugares. Varsóvia, Budapeste, Praga e Tallinn combinam custos mais baixos — entre cerca de 1.265 e 2.627 euros mensais — com boas infraestruturas e elevados níveis de segurança.
Este contraste coloca pressão sobre destinos do Sul da Europa, como Portugal, que continuam a atrair pela experiência de vida, mas enfrentam concorrência crescente em termos de custo-benefício.
Internet, transporte e segurança fazem a diferença
Para os nómadas digitais, a qualidade da Internet continua a ser um fator decisivo. Cidades como Cracóvia e Varsóvia oferecem ligações rápidas a preços muito baixos, com um custo por Mbps significativamente inferior ao de cidades mais caras da Europa Ocidental.
Também os transportes públicos pesam na equação. Enquanto cidades como Praga ou Budapeste mantêm passes mensais abaixo dos 25 euros graças a subsídios públicos, outras capitais europeias apresentam custos muito mais elevados.
Na segurança, cidades como Dubrovnik, Tallinn e Cracóvia lideram, enquanto algumas cidades francesas ficam para trás, penalizadas por níveis mais elevados de criminalidade urbana.
Portugal entre qualidade de vida e custo crescente
O relatório evidencia uma divisão cada vez mais clara na Europa: por um lado, destinos acessíveis com elevada qualidade de vida; por outro, cidades mais caras que apostam na experiência e conectividade global. Portugal posiciona-se entre estes dois mundos.
Se por um lado Lisboa continua a ser uma escolha forte para quem privilegia clima, cultura e ambiente, por outro enfrenta o desafio de manter competitividade face a cidades mais baratas que oferecem condições técnicas semelhantes — ou até superiores — para o trabalho remoto.



