Portugal continua a destacar-se como um dos mercados de arrendamento mais pressionados da Europa. Um estudo da ‘TradingPedia‘ conclui que Lisboa registou a quinta maior subida das rendas entre 127 cidades europeias durante o verão, ao mesmo tempo que continua a ser uma das capitais menos acessíveis para quem procura casa.
Entre maio e julho, a renda média de um apartamento T1 no centro de Lisboa aumentou 8,61%, passando de 1.331 para 1.446 euros por mês. Apenas Manchester, Cork, Madrid e Basileia registaram aumentos superiores no mesmo período.
Quase todo o salário vai para a renda
O relatório destaca outro dado preocupante: a renda média de um T1 no centro da capital representa 99,2% do salário líquido médio local.
Na prática, um trabalhador com o rendimento médio ficaria com apenas cerca de 11 euros depois de pagar a renda mensal.
Também o Porto e Braga registaram aumentos durante o verão. No Porto, as rendas subiram 3,43%, passando para 1.146 euros mensais, enquanto Braga registou uma subida de 1,04%, para 819 euros.
Apesar de ser mais acessível do que Lisboa, o Porto continua a exigir cerca de 85% do salário líquido médio para pagar a renda de um apartamento de um quarto no centro da cidade. Em Braga, esse esforço ronda os 73%.
Mercado voltou a acelerar no verão
Segundo a análise, o mercado português inverteu a tendência registada nos últimos meses.
Embora, em maio, Lisboa ainda apresentasse rendas inferiores às do mesmo período do ano anterior, os preços voltaram a acelerar durante o verão, recuperando rapidamente entre maio e julho.
Brian McColl, da TradingPedia, considera que o mercado de arrendamento português “está novamente a aquecer”, sublinhando que a forte procura típica da época de verão voltou a pressionar os preços.
O responsável alerta ainda que, caso este ritmo se mantenha durante a segunda metade do ano, os problemas de acessibilidade poderão agravar-se, sobretudo em Lisboa, onde a renda média já absorve praticamente um salário mensal inteiro.
O estudo compara o preço médio de apartamentos T1 localizados no centro de 127 cidades europeias, com base em dados da plataforma Numbeo recolhidos em maio e julho de 2026.














