Lisboa foi considerada a melhor cidade do mundo para expatriados num novo ranking internacional que avaliou destinos urbanos com base em fatores como segurança, custo de vida, cuidados de saúde, qualidade do ar e facilidade de integração. A capital portuguesa surge no topo da primeira edição do índice elaborado pela Global Citizen Solutions, superando cidades como Amesterdão, Melbourne e Viena.
O estudo surge numa altura em que a mobilidade internacional continua a crescer. Segundo dados do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas citados no relatório, mais de 300 milhões de pessoas vivem atualmente fora do país onde nasceram, praticamente o dobro do registado em 1990. O fenómeno intensificou-se após a pandemia, impulsionado pelo aumento do trabalho remoto, dos nómadas digitais, de reformas no estrangeiro e de mudanças motivadas por razões profissionais.
Para construir o ranking, a unidade de inteligência global da Global Citizen Solutions avaliou 35 cidades distribuídas por seis continentes. A análise foi além dos indicadores urbanos tradicionais e concentrou-se em sete critérios considerados decisivos para quem pretende viver fora do seu país de origem: custo de vida, segurança, qualidade do ar, cuidados de saúde, facilidade de integração, domínio da língua inglesa e mobilidade reforçada, associada ao poder do passaporte e à liberdade de circulação sem vistos. Cada cidade recebeu uma pontuação entre 0 e 100, sendo que os critérios ligados à segurança e à saúde tiveram o maior peso na classificação final.
O ranking das 10 melhores cidades para expatriados
Lisboa — 88,49/100
Amesterdão — 81,97/100
Melbourne — 81,79/100
Viena — 81,07/100
Barcelona — 80,7/100
Singapura — 80,58/100
Auckland — 80,15/100
Tóquio — 79,78/100
Copenhaga — 79,57/100
Seul — 78,89/100
A Europa domina claramente a classificação, com cinco cidades europeias no top 10 e quatro delas entre os cinco primeiros lugares. Lisboa destacou-se por apresentar resultados consistentes em praticamente todas as categorias avaliadas, em vez de depender apenas de um fator específico. O relatório aponta a capital portuguesa como uma das cidades mais acessíveis do índice em termos de custo de vida, especialmente quando comparada com Amesterdão, Viena ou Copenhaga. A elevada proficiência em inglês, a boa qualidade do ar e os níveis de segurança superiores aos de muitas cidades europeias foram igualmente determinantes para a liderança portuguesa.
Outro dos aspetos destacados no caso de Lisboa é a existência de vários mecanismos legais de residência para estrangeiros, incluindo vistos para nómadas digitais e programas de residência através de investimento. Segundo o estudo, esse enquadramento torna a cidade particularmente atrativa para expatriados que procuram estabilidade e flexibilidade de mobilidade internacional.
Já Amesterdão garantiu o segundo lugar graças ao desempenho sólido em praticamente todos os critérios. A cidade neerlandesa destacou-se pelos elevados padrões de segurança, qualidade dos cuidados de saúde, ar limpo e elevada abertura a residentes internacionais. O relatório sublinha ainda que Amesterdão apresentou o nível mais elevado de domínio do inglês entre todas as cidades europeias analisadas, reduzindo significativamente as barreiras linguísticas para expatriados. A mobilidade urbana também foi valorizada, numa cidade onde mais de 70% das deslocações entre 2015 e 2022 foram feitas a pé, de bicicleta ou em transportes públicos. Ainda assim, o elevado custo de vida penalizou a classificação final da capital neerlandesa.
No terceiro lugar surge Melbourne, a cidade não europeia mais bem posicionada do ranking. O estudo destaca os elevados níveis de proficiência em inglês, a qualidade ambiental, os sistemas urbanos desenvolvidos, a estabilidade institucional e os cuidados de saúde de qualidade. Estes fatores fazem de Melbourne um destino particularmente procurado por expatriados oriundos de países anglófonos. A segurança surge, contudo, como o ponto relativamente mais fraco da cidade australiana quando comparada com várias cidades europeias presentes na lista.
O relatório da Global Citizen Solutions conclui que os expatriados valorizam cada vez mais fatores ligados à qualidade de vida quotidiana e à estabilidade a longo prazo, ultrapassando critérios tradicionalmente associados apenas à fiscalidade ou ao clima. Nesse contexto, Lisboa surge hoje como uma das cidades mais competitivas do mundo para quem procura viver e trabalhar no estrangeiro, combinando segurança, acessibilidade relativa, qualidade ambiental e facilidade de integração internacional.












