Linhas passaram de vermelho para escarlate: Professores afastam avanços na nova negociação com o Governo e prometem mais greves

Recordando que um acordo, a acontecer “terá de ser global”, José Feliciano Costa diz que, na próxima negociação “não parece que vá haver avanços”. “A não ser que o ministro tenha uma medida qualquer na manga que ainda não apresentou”, ressalva.

Pedro Zagacho Gonçalves

Esta sexta-feira, e mesmo com os serviços mínimos decretados por um Tribunal Arbitral, foram centenas as escolas e milhares os alunos afetados pela greve de professores convocada pela Fenprof e outras oito estruturas sindicais do setor da educação. A luta não ficará por aqui, garante a Fenprof, que irá anunciar novas formas de luta na próxima terça-feira, dia 7, mas antecipa já à Multinews que mais greves são uma certeza.

Na próxima terça-feira, a Fenprof irá apresentar o resultado de centenas de reuniões feitas nas últimas semanas com professores em todo o país, nos debates 4D. “Fomos fazendo inquéritos, e temos milhares de dados já tratados, que serão divulgados”, explica José Feliciano Costa, secretário-geral adjunto da Fenprof.

Entre as perguntas feitas aos professores estavam temas como os termos de um eventual acordo, o que era prioritário na negociação e o último ponto dizia especificamente respeito a novas formas de luta esperadas e expectáveis. “Manifestações ao sábado, greves por horas, por distritos ou por regiões, de um dia ou mais,…”, ilustra Feliciano Costa.

O responsável antecipa, em entrevista à Multinews, que o que se verificou “foi um reforço da posição que a Fenprof já tinha”. “Os professores foram muito claros e na sua esmagadora maioria dizem que é para continuar a pressão, com a mesma intensidade de luta”, assegurou José Feliciano Costa.
Sem querer desvendar ou antecipar muito sobre o que a Fenprof irá anunciar no dia 7 de março, o responsável sindical confirma que os próximos passos “passarão por mais greves”. “Professores não vão parar, não querem parar e insistem que não o vão fazer até verem todas as questões resolvidas”, avisa José Feliciano Costa.

Professores desvalorizam negociação suplementar marcada pelo Governo
Esta sexta-feira, o ministro da Educação João Costa anunciou que nova ronda negocial suplementar foi marcada com os sindicatos para dia 9 de março, próxima quinta-feira e disse ter já enviado um novo documento já com “alterações introduzidas que decorrem das negociações” com os docentes
“O processo de revisão do modelo de recrutamento e colocação de professores ficará concluído na reunião de dia 9”, assegurou João Costa.

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A Fenprof desvaloriza as declarações e recorda que a proposta de negociação suplementar foi feita por esta estrutura sindical. “Sim, já recebemos as alterações: são duas ou três, o que, na prática, mantém tudo na mesma. Não foi alterado nada na questão nuclear”, atira José Feliciano Costa.

“Na questão dos concursos continuam as linhas vermelhas, as três maiores sendo os conselhos locais de diretores, a questão da ultrapassagem nas vinculações, ou a institucionalização do desterro de professores, que ficam sem hipóteses de se aproximar de casa. Estas são as linhas inaceitáveis, as mais vermelhas. Escarlates, até”, admite o sindicalista da Fenprof.

Recordando que um acordo, a acontecer “terá de ser global”, José Feliciano Costa diz que, na próxima negociação “não parece que vá haver avanços”. “A não ser que o ministro tenha uma medida qualquer na manga que ainda não apresentou”, ressalva.

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A Fenprof lamenta que ainda não se tenham marcado negociações para a “segunda parte” que os professores querem ver discutida, que diz respeito a uma maior valorização das carreiras.

“Há disponibilidade, mas ainda não vimos nada marcado. É muito bonito, mas não se vislumbra, pelo menos que apontem uma data. O que os professores nos dizem é que a luta é para continuar até que as negociações tenham um vislumbre de seriedade por parte do Ministério da Educação”, termina José Feliciano Costa.

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