Um telescópio instalado no Chile detetou os sinais químicos deixados pelo impacto de uma parte de um foguetão da SpaceX contra a superfície da Lua, numa colisão ocorrida a cerca de 8690 quilómetros por hora.
O Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul, registou linhas espectrais associadas à presença de sódio e lítio na enorme nuvem de poeira levantada pelo choque.
De acordo com o The Guardian, estes sinais funcionaram como uma espécie de impressão digital química da pluma criada pelo impacto, que permaneceu visível durante cinco a dez minutos.
Pluma estendeu-se por dezenas de quilómetros
A nuvem de poeira lunar terá atingido algumas dezenas de quilómetros de extensão, segundo Carl Schmidt, astrónomo do Centro de Física Espacial da Universidade de Boston.
O impacto ocorreu junto à linha do terminador lunar, a fronteira entre a região iluminada pelo Sol e a zona mergulhada na sombra.
Tal como aconteceu noutros impactos registados na Lua, o objeto levantou uma grande quantidade de poeira que ficou temporariamente iluminada pela luz solar. Apesar disso, o fenómeno foi difícil de observar a olho nu a partir da Terra.
A forma como a pluma interagiu com a luz permitiu aos cientistas recolher pistas sobre os materiais presentes no local da colisão.
O sódio detetado terá origem no solo lunar, enquanto os vestígios de lítio poderão ter sido libertados pela própria estrutura do foguetão.
Observação revelou “impressões digitais” químicas
O telescópio do Observatório Europeu do Sul conseguiu identificar linhas espectrais coloridas associadas aos gases presentes na pluma.
Segundo o The Guardian, estas linhas permitiram distinguir o sódio e o lítio, embora os primeiros resultados sejam ainda considerados preliminares.
Carl Schmidt reconheceu que a observação não decorreu de forma perfeita e que a análise realizada até agora é ainda limitada. O astrónomo espera que estudos posteriores permitam retirar conclusões mais detalhadas.
Colisão deverá ter aberto uma cratera de 20 metros
Sara Webb, astrofísica da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, estima que a força do impacto tenha criado uma nova cratera com cerca de 20 metros de diâmetro e cinco metros de profundidade.
A formação de uma pluma de grandes dimensões já era esperada. O que surpreendeu os investigadores foi a dificuldade em observar diretamente o momento da colisão.
Vários telescópios estavam apontados para a Lua, mas nenhum conseguiu captar imagens claras do objeto a atingir a superfície.
O impacto ocorreu pelas 06h35 GMT de quarta-feira. O fragmento tinha aproximadamente a altura de um edifício de cinco andares e pesava quatro toneladas.
Satélites não conseguiram observar o impacto
Embora vários satélites estivessem em órbita da Lua, nenhum se encontrava na posição certa no momento da colisão.
A NASA pretende utilizar a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter para fotografar a zona atingida. A missão sul-coreana Pathfinder Lunar Orbiter também deverá recolher imagens do local.
Essas observações poderão revelar os destroços do foguetão e confirmar as dimensões da cratera. No entanto, a obtenção e análise das imagens poderá demorar vários dias.
Impacto pode ajudar futuras missões na Lua
Benjamin Fernando, do Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México, considera que a colisão poderá fornecer dados úteis para futuras experiências sísmicas na Lua.
A informação recolhida poderá também ajudar a avaliar os riscos colocados pelos impactos de detritos espaciais artificiais.
A NASA pretende estabelecer uma presença humana prolongada na superfície lunar, o que aumenta a importância de compreender melhor os perigos associados aos objetos que permanecem em órbita ou acabam por colidir com a Lua.
Foguetão foi lançado em janeiro de 2025
O Falcon 9 da SpaceX foi lançado em janeiro de 2025 com dois módulos lunares a bordo.
O propulsor regressou à Terra, mas o estágio superior permaneceu no espaço depois de impulsionar os módulos em direção ao destino.
Essa estrutura tornou-se uma das dezenas de milhares de peças de lixo espacial que orbitam a Terra.
A Lua é atingida regularmente por detritos naturais, incluindo meteoroides. As colisões provocadas por objetos construídos pelo ser humano são, contudo, menos frequentes.














