Embora Pequim não admitido oficialmente a renúncia total aos limites de natalidade, há sinais de que as punições se tornaram menos rígidas em alguns locais, para quem quer ter mais do que dois filhos, segundo o ‘Wall Street Journal’.
Quando Zhang Yiqiu ficou grávida do seu terceiro filho, há dois anos, a empresária de Pequim esperava enfrentar uma multa ou obstáculos burocráticos. Para sua surpresa, as autoridades locais elogiaram-na pela decisão de ter outro filho, embora não pudessem disponibilizar a burocracia necessária o seguro de saúde ser coberto pelo governo, porque oficialmente os pais ainda estão proibidos de ter três filhos.
Segundo a mesma publicação que entrevistou vários pais chineses, bem como demógrafos e outras entidades, os resultados sugerem que algumas autoridades locais estão silenciosamente a permitir que as famílias tenham um terceiro filho sem as repercussões habituais.
Durante três décadas, a China impediu a grande maioria dos casais chineses de terem um segundo filho. A população, maioritariamente masculina, entrou numa rota de envelhecimento e era urgente revertê-la. Por isso, em 2015, o Governo decidiu abolir a política do filho único, os casais passaram a poder ter até dois filhos, mas não mais do que isso.
Os líderes da China, incluindo o presidente Xi Jinping, disseram estar preocupados com a trajetória demográfica do país. Um censo que ocorre uma vez a cada década este ano provavelmente mostrará que o número de bebés que nasce está longe de compensar o rápido envelhecimento da força de trabalho.
Mesmo assim, os líderes não deram nenhuma indicação de que estão prontos para descartar as restrições à natalidade, embora o último plano de cinco anos do Partido Comunista fale em melhorar a política de natalidade. Enquanto isso, pais como Zhang não têm certeza do que podem esperar.
A mulher revelou ao jornal que após o nascimento do terceiro, as autoridades locais de Pequim disseram que não tinham possibilidades de investigar a sua violação de nascimento. Alguns outros pais de mais de dois filhos afirmam que também ficaram livres de pena, o que mostra que o pais pode estar aos poucos a mudar de ideias.
Nenhum governo local reconhecerá abertamente que está a permitir terceiros filhos. E em muitos locais as restrições continuam a ser aplicadas com rigor. «A política de nascimento na China está num impasse agora», disse Wang Feng, professor de sociologia da Universidade da Califórnia.
Contactada pelo WSJ, a Comissão Nacional de Saúde, que supervisiona como as políticas de nascimento são tratadas em toda a China, não respondeu aos pedidos de comentário, pelo que a questão continua em abeto. Fica pelo menos a sensação de que o país está mais liberal nesta matéria.




