A Finlândia partilha uma extensa fronteira com a Rússia. São 1.340 quilómetros de fronteira que unem os dois países e que, durante décadas, foram marcados pela grande movimentação de pessoas e de bens entre os dois países.
Mas isso mudou após a Finlândia ter sinalizado, na sequência da invasão russa da Ucrânia, a sua intenção de aderir à NATO. Depois de na semana passada os líderes finlandeses terem apoiado a adesão do país à Aliança Atlântica só falta ser formalizado esse pedido e, face a essa pretensão, as relações entre Helsínquia e Moscovo tornaram-se gélidas.
Algo que já se faz sentir na fronteira entre os dois países, onde saltam à vista as estradas e os centros comerciais vazios e também as ligações ferroviárias suspensas, como revela o Politico.
O serviço de alta velocidade conhecido como Allegro que unia os dois países – uma colaboração conjunta da Finlândia e da Rússia – está parado. Assim que os últimos imigrantes finlandeses saíram da Rússia após a invasão da Ucrânia, o serviço foi suspenso. O último comboio chegou à capital finlandesa no dia 28 de março.
Antes da guerra, o serviço Allegro transportava diariamente centenas de pessoas de um país para o outro.
Negócios que se estabeleceram junto às estações de comboio perto da fronteira que são percorridas pelo Allegro já sentem o impacto da suspensão do serviço. É o caso do restaurante do pai de Ville Laihia, localizado na pequena vila de Vainikkala.
“É um pesadelo. Passámos 20 anos a construir este negócio e agora estamos a lutar para sobreviver”, disse. Ao invés dos viajantes habituais que enchiam o restaurante na hora de ponta, agora as mesas do estabelecimento são ocupadas por guardas fronteiriços.
A autoestrada que liga a fronteira a Helsínquia também está muito sossegada atualmente. Passam-se minutos sem que passe um único carro.
Laihia ainda espera que a tensão política entre o seu país e a Rússia diminua e que os passageiros do Allegro voltem ao restaurante em vez dos guardas fronteiriços, mas sabe que isso está nas mãos do presidente da Rússia.
“Tudo isso depende de Putin”, afirmou ao Politico, acenando para o lado russo da fronteira.












